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Policiais civis paralisam trabalho para enfrentar inundação no Palácio da Polícia

As fortes chuvas que atingiram Porto Alegre no último final de semana e seguiram na manhã desta segunda-feira (22) causaram a interdição dos serviços no Palácio da Polícia, sede histórica da administração da corporação, localizado no bairro Azenha, com andares alagados e policiais paralisados.

A situação precária da estrutura, que já vem sendo denunciada pela UGEIRM Sindicato há anos, foi agravada pelas obras que acontecem no local. A construtora contratada pelo Governo do Estado para reforma, que está investido R$ 2,3 milhões na obra, removeu as telhas do prédio, deixando o imóvel sem proteção para chuvas. 

As consequências dessa situação foram sentidas pelos policiais e funcionários terceirizados do prédio nesta manhã, que precisaram deixar suas funções e ajudar no escoamento da água, presente em todos os andares. Os presentes utilizaram rodos e sacos de areia, apesar da continuidade das chuvas ao longo da manhã. Sem equipamentos de segurança, as pessoas ficaram expostas à contaminação pela água suja, que pode ter entrado em contato com fezes de animais (morcegos e ratos) e outros materiais irregulares.

Foto: Joana Berwanger/UGEIRM Sindicato

Para Neiva Carla, diretora da UGEIRM, “é inaceitável que policiais e funcionários terceirizados precisem se desviar de suas funções para escoar água de um prédio tão importante quanto o Palácio da Polícia, colocando sua saúde em risco. É o retrato do descaso do Governo do Estado com a segurança pública”.

Além de paralisar os agentes desde sábado, as chuvas ainda deixaram os sistemas de informática inoperantes, incluindo o software Guardião, resultando em um completo caos na segurança pública. Utilizado por policiais civis, federais e promotores de Justiça, o sistema grampeia ligações e intercepta vídeos, mecanismos essenciais para o andamento de investigações criminais.

“Isso é uma vergonha para nós, que órgãos muito importantes e outros serviços de extrema importância para a população estejam paralisados por negligência, do governo do Estado e da empresa que está fazendo a obra”, destacou Isaac Ortiz, presidente da UGEIRM Sindicato.

Foto: Joana Berwanger/UGEIRM Sindicato

Em julho de 2021, por conta da negligência e precariedade do imóvel, a antiga sede da Secretaria de Segurança Pública na Capital foi atingida por um incêndio e provocou a morte de dois bombeiros. Segundo laudo produzido pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP), a tragédia foi causada por uma sobrecarga ou um curto-circuito em um equipamento eletrônico. 

“A gente não sabe se o Palácio tem PPCI e vamos acionar os órgãos de controle para saber se tem PPCI, se tem condições de continuar funcionando ali todas as delegacias. A gente vai tomar providências, nós vamos procurar a justiça para tentar que o Poder Judiciário tome uma atitude no sentido de interditar o Palácio”, reforçou Fábio Castro, vice-presidente da UGEIRM.

“É um risco, não só para o trabalho da polícia, que tem setores vitais e que ficam comprometidos como, por exemplo, o próprio plantão da Delegacia da Mulher, mas também a integridade física dos profissionais que ali trabalham”, completou. 

Confira as fotos do Palácio nesta manhã:

Foto: Joana Berwanger/UGEIRM Sindicato
Foto: Joana Berwanger/UGEIRM Sindicato
Foto: Joana Berwanger/UGEIRM Sindicato
Foto: Joana Berwanger/UGEIRM Sindicato
Foto: Joana Berwanger/UGEIRM Sindicato
Foto: Joana Berwanger/UGEIRM Sindicato
Foto: Joana Berwanger/UGEIRM Sindicato
Foto: Joana Berwanger/UGEIRM Sindicato