Nota de apoio da UGEIRM/Sindicato aos (às) servidores (as) da DEAM de Porto Alegre
A UGEIRM Sindicato manifesta total apoio e reconhecimento aos (às) servidores (as) da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Porto Alegre, Agentes e Delegados (as). Esses (as) policiais civis vêm enfrentando uma rotina de trabalho extenuante, em meio a um contexto de efetivo reduzido, acúmulo de funções e ausência de suporte institucional compatível com a complexidade da unidade. A DEAM da Capital é referência estadual no atendimento às mulheres vítimas de violência. Diariamente, esta Delegacia recebe mulheres não apenas de Porto Alegre, mas também de diversas cidades da Região Metropolitana e do interior do estado.
O que ocorre nas DEAMs vai muito além do simples registro de ocorrência. Os (as) policiais civis, lotados(as) nessas Delegacias, acumulam funções que, para garantir um atendimento adequado, envolvem: escuta qualificada e humanizada; orientação jurídica; gerenciamento de situações de crise emocional; acionamento de serviços de saúde para atendimento emergencial; acompanhamento das vítimas até abrigos especializados; além da custódia de presos, com a garantia de alimentação e segurança. Todas essas funções são realizadas com um número insuficientes de profissionais e condições estruturais precárias. Essa sobrecarga diária compromete a saúde física e mental desses (as) servidores (as), levando vários deles (as) ao adoecimento. É completamente inadmissível que uma unidade, com tamanha relevância social e demanda crescente, continue operando com uma estrutura deficiente e um efetivo defasado.
A UGEIRM reforça que o trabalho desenvolvido pelos(as) plantonistas da DEAM é essencial para salvar vidas. Trata-se de uma atuação especializada, sensível e de altíssimo impacto social, exigindo preparo técnico, empatia e dedicação — características que esses(as) profissionais demonstram com excelência, mesmo diante do abandono por parte do Estado.
A luta por uma Polícia Civil forte e valorizada passa, necessariamente, pelo respeito e reconhecimento aos (às) servidores que estão na linha de frente do enfrentamento à violência contra a mulher. Os (as) policiais da DEAM de Porto Alegre são exemplos de compromisso com o serviço público e merecem respeito, valorização e condições dignas de trabalho.
A UGEIRM reitera que problemas de natureza tão complexa, como os enfrentados pela Delegacia de Atendimento às Mulheres de Porto Alegre, só podem ser resolvidos com diálogo, investimentos e valorização dos servidores que estão na linha de frente da proteção às mulheres. A escuta aos servidores, combinada com a vontade política do Governo, é a única fórmula capaz de garantir a superação de momentos de crise, como o que agora é vivido pelos(as) policiais da DEAM de Porto Alegre e que se repete em várias unidades policiais do estado.
O Sindicato vem, há anos, denunciando e cobrando do Governo do estado melhores condições de trabalho e reposição do efetivo da Polícia Civil. Os problemas enfrentados pela DEAM de Porto Alegre são a expressão mais visível de uma realidade que atinge toda a Instituição. As DEAMs da Região Metropolitana e do Interior, além das diversas DPPAs do estado, enfrentam problemas semelhantes que são normalmente invisibilizados. O trabalho árduo dos plantonistas é a porta de entrada e a face mais próxima da Polícia Civil, e do próprio Estado, com a população mais necessitada. Porém, esse trabalho incansável e de alta complexidade não gera repercussão na mídia, como as Operações Policiais, só se tornando notícia em momentos de crise como o que estamos vivendo na DEAM de Porto Alegre.
Nós, da UGEIRM, esperamos que após a superação dessa crise na DEAM de Porto Alegre, o governo do estado e a própria mídia prossigam empenhados em garantir condições dignas para esses (as) servidores. A Polícia Civil só é eficiente quando está próxima da população, que é a razão da sua existência. Essa proximidade é efetivada, principalmente, pelos plantonistas que estão atrás do balcão das Delegacias atendendo, ouvindo, acolhendo e resolvendo os problemas da população que, na maioria das vezes, só conta com esse braço do Estado.
Foto: Renan Mattos / Agencia RBS
