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Seminário debate impacto do aumento dos crimes contra a mulher nos policiais que atuam no atendimento especializado

A UGEIRM Sindicato promoveu, na última sexta-feira (15), um seminário que se propôs a debater e tratar sobre o impacto do aumento dos crimes contra a mulher nos policiais que atuam no atendimento especializado, especialmente nas Delegacias Especializadas em Atendimento à Mulher (DEAMs), no Rio Grande do Sul. Ao fim do evento, foi escrita em conjunto uma carta aberta à sociedade sobre a realidade dos agentes.

O evento é resultado de uma caravana que tem sido realizada pela direção do Sindicato de visita às unidades policiais, a fim de dialogar com os policiais civis. O objetivo é entender a realidade das equipes e levantar as principais demandas dos profissionais, que vivem momentos de pressão social com o aumento no número de casos de violência contra a mulher, em especial os feminicídios.

Foto: Joana Berwanger/UGEIRM

“Nós decidimos organizar esse evento para oferecer um espaço de escuta para os colegas, para que eles consigam fazer trocas importantes sobre suas experiências e entenderem que eles não estão sozinhos no combate à violência de gênero”, destaca Neiva Carla Back, diretora da UGEIRM. 

Durante a manhã, foi realizada uma roda de conversa para tratar sobre os ‘bastidores do atendimento’, com o objetivo de entender como trabalham e o que sentem os policiais que atuam nos crimes contra mulheres. As mediadoras que participaram da mesa foram Lisiane Paganotto, assistente social e comissária de polícia, Rita Garcia Rangel, psicóloga e doutoranda em psicologia, Anelise Assumpção Cordeiro, comissária de polícia e diretora da UGEIRM, além de Neiva, que acompanhou o quadro.

“Momentos como esse são essenciais pra dar voz a quem está na linha de frente do atendimento às mulheres vítimas de violência”, defende Rita. “Dialogar sobre os impactos emocionais e as condições de trabalho dos e das policiais é fundamental pra construirmos um serviço mais humanizado e enfrentarmos a violência de gênero de forma mais assertiva. Participar desse encontro foi muito significativo”, completa.

Foto: Joana Berwanger/UGEIRM

No turno da tarde, foi realizada uma mesa de debate com Stéphanie Carus Weidt, inspetora de polícia e integrante da Diretoria do SUSP da Senasp, atuando na Coordenação de Prevenção às Violências contra Mulheres, e Ellen Márcia Lopes Santos de Carvalho, psicóloga e investigadora de polícia em Minas Gerais, com atuação no atendimento a mulheres em situação de violência e na implementação de políticas públicas voltadas à prevenção da violência. 

“O encontro abriu um espaço de fala fundamental a esses trabalhadoras e trabalhadores, polícias civis, que vêm sofrendo de forma sistemática e agudizada, pela omissão e transferência de responsabilidades por parte do Governo do Estado”, conta Anelise. “O evento foi potente, sobretudo pelos graves relatos dos policiais, mas também pelos encaminhamentos a serem dados pelo sindicato, direcionados aos gestores públicos, com o objetivo de reivindicar condições de trabalho dignas e justas.”

Foto: Joana Berwanger/UGEIRM

Por fim, o grupo escreveu em conjunto uma carta aberta, que será encaminhada ao poder público e à imprensa, escancarando a realidade vivida pelos policiais civis que atuam no atendimento especializado.

“Nós vamos continuar fazendo a caravana para visitar as outras DEAMs do estado, dialogando com os colegas para poder ser a voz deles, mostrando para a sociedade a realidade em que os policiais civis se encontram”, finaliza Neiva.

Leia a carta aberta abaixo.