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Mesmo sem valorização da categoria, Polícia Civil segue no combate de bebidas adulteradas em Porto Alegre em meio à crise do metanol

Nos últimos anos, os policiais civis do Rio Grande do Sul vem enfrentando um dos maiores arrochos salariais da história no estado, tendo que trabalhar em estruturas totalmente deterioradas, como o caso do Palácio da Polícia, ocasionando uma onda de exonerações sem precedentes. Para se ter ideia, somente em 2025, quase 40 policiais foram exonerados no RS. 

Apesar desse contexto de completa desvalorização, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, no último final de semana, a Operação Dose Letal, para combater a circulação de bebidas alcoólicas adulteradas. O objetivo é verificar uma possível contaminação por uso de metanol, substância altamente tóxica e potencialmente fatal mesmo em pequenas quantidades, buscando a preservação da saúde pública, após casos de morte por intoxicação em São Paulo.

Ao todo, 135 garrafas foram apreendidas pela Delegacia de Polícia de Proteção aos Direitos do Consumidor, Saúde Pública e da Propriedade Intelectual, Imaterial e Afins (Decon), além de cigarros eletrônicos. Durante a ação, foram realizadas fiscalizações em locais de distribuição de bebidas, com foco a identificar produtos sem procedência, preços incompatíveis com o mercado e suspeita de falsificação de rótulos e lacres. 

Atuação permanente

De caráter permanente, a Operação Dose Letal teve ações intensificadas em razão dos casos registrados de intoxicação no Brasil nas últimas semanas. “Essa é mais uma demonstração da importância da atuação da Polícia Civil em casos de crise, como nas enchentes do RS, em 2024, e na pandemia da COVID-19, em 2020”, destaca Fábio Castro, vice-presidente da UGEIRM Sindicato. 

“O papel dos policiais civis é crucial para mantermos a ordem e a segurança pública em momentos como esses, quando a população se depara com situações de grande risco e busca por respostas. Mas, para isso, é preciso que os agentes sejam valorizados, com reposição salarial e condições dignas de trabalho, algo que não está acontecendo aqui no RS”, completa.

Comitê intersecretarial

Na última sexta (3), o Governo do RS determinou a criação de um comitê intersecretarial para acompanhar os casos, envolvendo as áreas da saúde, da segurança e da agricultura, visando garantir agilidade na resposta a possíveis casos. Esse grupo deve se reunir com a Polícia Civil, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), o Centro Estadual de Vigilância em Saúde, a Brigada Militar (BM) e o Instituto-Geral de Perícias (IGP).

Além disso, o Departamento Estadual de Investigações Criminais da Polícia Civil (Deic), está com um canal para receber denúncias por telefone, por meio do número 0800 510 28 28. Em caso de suspeita, os consumidores devem comunicar imediatamente às autoridades por meio dos canais de denúncia da Polícia Civil, do Procon e da Vigilância Sanitária.

“A atuação da Polícia Civil em casos como esses é permanente. Isso demonstra como nosso trabalho é importante para tantas esferas da sociedade, no combate ao crime organizado e até mesmo na preservação da saúde pública. Por isso, a UGEIRM luta tanto pela valorização dos profissionais da categoria. Precisamos de reconhecimento para que cada um consiga dar o melhor de si”, completa Fábio. 

Atualmente, o RS possui um caso confirmado de intoxicação por metanol, com origem em São Paulo. O paciente, um homem de 42 anos, relatou ter ingerido duas caipirinhas de vodca em um bar na capital paulista, no dia 26 de setembro. Ele já recebeu alta do Hospital São Lucas, da PUCRS.