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Número de exonerações na Polícia Civil chega a 40 e pode bater recorde histórico em 2025

Em razão dos baixos salários, péssimas condições de trabalho e abandono dos aposentados e das aposentadas, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul atingiu a marca de 41 exonerações, somente, em 2025. Para se ter ideia, de 2023 até hoje, já são 156 exonerados, o maior número em dez anos – realidade que pode atingir um novo recorde, se seguir neste ritmo.

Isso é um reflexo direto da desvalorização da categoria por parte do governo do Estado, que comemora as baixas nos índices de criminalidade, mas não oferece condições mínimas de trabalho aos profissionais. 

Um dos exemplos mais claros de abandono da categoria é a maneira como o Palácio da Polícia, localizado em Porto Alegre, tem funcionado nos últimos meses. Passando por reformas mal organizadas, o espaço oferece problemas de segurança estruturais, agravados recentemente pelas chuvas do dia 21 de outubro. A pedido da UGEIRM Sindicato, o Ministério Público do RS irá apurar as condições de funcionamento do prédio, que tem sofrido com alagamentos, após removerem o telhado.

Além disso, em Bento Gonçalves, outra situação absurda escracha a falta de valorização por parte do Estado: os policiais civis que atuam na cidade estão tendo que viajar mais de 100km para realizar exames periciais, já que o Posto Médico Legal (PML), vinculado ao Instituto Geral de Perícias (IGP), não oferece mais serviços 24h. Isso só está acontecendo por conta da falta de efetivo no órgão, advinda da ausência de política de reposição de pessoal.

“Esse quadro altíssimo de exonerações é fruto de uma política de desmonte da Polícia Civil”, explica Fábio Castro, vice-presidente da UGEIRM Sindicato. “Os policiais civis do RS têm feito milagres, considerando o contexto de desvalorização que estamos vivendo. Estamos assistindo a polícia caminhar a passos largos para o colapso”, completa.

A única solução para que esse quadro não se agrave, causando consequências devastadoras, explica Fábio, é o governo do Estado começar a valorizar de fato seus servidores, com salários dignos, promoções, boas condições de trabalho e de aposentadoria. 

“Temos delegacias no RS que só possuem um policial civil trabalhando, isso é inaceitável. Ao rodarmos o estado, fica claro que exemplos de desvalorização não faltam. É preciso que o governo mude sua lógica, ou a baixa dos números de criminalidade que conseguimos entregar arduamente e que eles tanto comemoram talvez não sejam mais uma realidade em um futuro próximo”, completa o diretor.