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Estrutura precária da DPPA de São Leopoldo coloca policiais civis e população sob risco permanente

Celas enferrujadas são um risco à segurança dos policiais

Celas deterioradas, barras enferrujadas, falta de cadeados e falhas na segurança da Unidade evidenciam o colapso estrutural enfrentado pela Polícia Civil gaúcha. A situação enfrentada pelos policiais civis na DPPA de São Leopoldo é mais um retrato do abandono estrutural que atinge as Unidades Policiais do Rio Grande do Sul. A precariedade da delegacia chegou a um ponto crítico, comprometendo a segurança dos servidores, da população e até mesmo a custódia de presos dentro da Unidade.

Em visita à DPPA, a direção da UGEIRM encontrou um cenário deplorável. As celas da delegacia estão em condições extremamente degradadas, as barras encontram-se enferrujadas, há falta de cadeados suficientes para garantir a segurança mínima da custódia e a estrutura física apresenta sérios riscos operacionais.

O cenário é tão grave que, há poucos dias, ocorreu uma tentativa de fuga dentro da DPPA. A mesma só não foi consumada porque os policiais civis do plantão agiram rapidamente e conseguiram impedir a ação, evitando uma situação ainda mais grave dentro da Unidade Policial. O episódio escancara a irresponsabilidade do Estado ao manter presos em espaços improvisados, sem estrutura adequada e sem condições mínimas de segurança.

Porta nos fundos da DPPA, com cadeado quebrado

O risco de que novos episódios de fuga ocorram é evidenciado pela situação de um dos portões da Unidade. Recentemente, uma tempestade danificou a estrutura, que já se encontrava completamente deteriorada pela ação do tempo, e até hoje o portão não foi consertado. A situação expõe os policiais civis a graves riscos, já que facilita o acesso de qualquer pessoa ao interior da DPPA. Além disso, a fragilidade da estrutura pode favorecer tentativas de resgate de presos custodiados na delegacia ou novas fugas, agravando ainda mais a insegurança no local.

Vistoria do ano passado já apontava falta de condições do prédio da DPPA

Uma vistoria da Secretaria de Obras Públicas, realizada em julho de 2025, já apontava a total falta de condições do prédio que abriga a DPPA de São Leopoldo. De lá pra cá, a situação só piorou. Segundo relatório técnico de vistoria, a estrutura da DPPA apresentava graves problemas de conservação e risco à segurança de servidores e da população. O documento apontava caráter emergencial para a realização de reformas urgentes, especialmente nas instalações elétricas, que apresentavam risco de curto-circuito e princípio de incêndio, com recomendação de interdição da rede elétrica até a correção dos problemas.

A vistoria também identificou infiltrações, deterioração de telhados, problemas de drenagem, umidade nas paredes e degradação estrutural em diferentes prédios do complexo policial. O relatório destacava que a situação permanecia praticamente inalterada desde a vistoria realizada em julho de 2024.

Além disso, técnicos apontaram risco iminente em áreas ainda utilizadas pela DPPA dentro de prédios parcialmente interditados, inclusive com registro de desabamento em estruturas próximas. O documento ressaltava que as intervenções emergenciais são indispensáveis para garantir condições mínimas de salubridade, habitabilidade e continuidade do atendimento policial até a eventual construção de uma nova Central de Polícia no local.

Superlotação agrava o risco para os policiais e para a população

Além da precariedade estrutural das celas, a delegacia tem enfrentado superlotação de presos, aumentando ainda mais a tensão e o perigo no ambiente policial. Os policiais civis, que já trabalham sob forte sobrecarga e déficit de efetivo, acabam obrigados a atuar em um ambiente inseguro e improvisado, em desvio de função e convivendo diariamente com o risco de fugas, rebeliões e incidentes graves.

A população que procura atendimento na Unidade Policial também acaba exposta a esse cenário de insegurança, consequência direta do colapso do sistema prisional e da ausência de investimentos adequados na estrutura policial.

DPPA de São Leopoldo mostra que o Rio Grande NÃO está diferente

O caso de São Leopoldo é um retrato evidente da inércia do governo Eduardo Leite diante do colapso estrutural enfrentado pela Polícia Civil gaúcha. O vice-presidente da UGEIRM, Fabio Castro, destaca que “a UGEIRM vem denunciando continuamente o sucateamento das delegacias gaúchas e os riscos que essa situação representa tanto para os policiais civis quanto para a população. A cada dia, recebemos novas denúncias de estruturas deterioradas, infiltrações, celas improvisadas, falta de manutenção e condições indignas de trabalho”.

Fabio também cobra responsabilidade do governo estadual: “o governador Eduardo Leite tenta vender uma imagem de grande especialista em eficiência e modernização. Porém, a realidade é que no nosso estado os policiais civis estão abandonados à própria sorte, tentando manter, às vezes com dinheiro do próprio bolso, as mínimas condições de atendimento à população. A verdade é que Eduardo Leite completa seus oito anos de governo de forma melancólica, com o estado largado às traças e expondo os policiais civis a sérios riscos, resultado da incompetência de um governo omisso e irresponsável”.