Seminário debate impacto do aumento dos crimes contra a mulher nos policiais que atuam no atendimento especializado
A UGEIRM Sindicato promoveu, na última sexta-feira (15), um seminário que se propôs a debater e tratar sobre o impacto do aumento dos crimes contra a mulher nos policiais que atuam no atendimento especializado, especialmente nas Delegacias Especializadas em Atendimento à Mulher (DEAMs), no Rio Grande do Sul. Ao fim do evento, foi escrita em conjunto uma carta aberta à sociedade sobre a realidade dos agentes.
O evento é resultado de uma caravana que tem sido realizada pela direção do Sindicato de visita às unidades policiais, a fim de dialogar com os policiais civis. O objetivo é entender a realidade das equipes e levantar as principais demandas dos profissionais, que vivem momentos de pressão social com o aumento no número de casos de violência contra a mulher, em especial os feminicídios.

“Nós decidimos organizar esse evento para oferecer um espaço de escuta para os colegas, para que eles consigam fazer trocas importantes sobre suas experiências e entenderem que eles não estão sozinhos no combate à violência de gênero”, destaca Neiva Carla Back, diretora da UGEIRM.
Durante a manhã, foi realizada uma roda de conversa para tratar sobre os ‘bastidores do atendimento’, com o objetivo de entender como trabalham e o que sentem os policiais que atuam nos crimes contra mulheres. As mediadoras que participaram da mesa foram Lisiane Paganotto, assistente social e comissária de polícia, Rita Garcia Rangel, psicóloga e doutoranda em psicologia, Anelise Assumpção Cordeiro, comissária de polícia e diretora da UGEIRM, além de Neiva, que acompanhou o quadro.
“Momentos como esse são essenciais pra dar voz a quem está na linha de frente do atendimento às mulheres vítimas de violência”, defende Rita. “Dialogar sobre os impactos emocionais e as condições de trabalho dos e das policiais é fundamental pra construirmos um serviço mais humanizado e enfrentarmos a violência de gênero de forma mais assertiva. Participar desse encontro foi muito significativo”, completa.

No turno da tarde, foi realizada uma mesa de debate com Stéphanie Carus Weidt, inspetora de polícia e integrante da Diretoria do SUSP da Senasp, atuando na Coordenação de Prevenção às Violências contra Mulheres, e Ellen Márcia Lopes Santos de Carvalho, psicóloga e investigadora de polícia em Minas Gerais, com atuação no atendimento a mulheres em situação de violência e na implementação de políticas públicas voltadas à prevenção da violência.
“O encontro abriu um espaço de fala fundamental a esses trabalhadoras e trabalhadores, polícias civis, que vêm sofrendo de forma sistemática e agudizada, pela omissão e transferência de responsabilidades por parte do Governo do Estado”, conta Anelise. “O evento foi potente, sobretudo pelos graves relatos dos policiais, mas também pelos encaminhamentos a serem dados pelo sindicato, direcionados aos gestores públicos, com o objetivo de reivindicar condições de trabalho dignas e justas.”

Por fim, o grupo escreveu em conjunto uma carta aberta, que será encaminhada ao poder público e à imprensa, escancarando a realidade vivida pelos policiais civis que atuam no atendimento especializado.
“Nós vamos continuar fazendo a caravana para visitar as outras DEAMs do estado, dialogando com os colegas para poder ser a voz deles, mostrando para a sociedade a realidade em que os policiais civis se encontram”, finaliza Neiva.
Leia a carta aberta abaixo.
