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DPPA de São Leopoldo tem princípio de incêndio devido às péssimas condições estruturais

Os Policiais Civis da DPPA de São Leopoldo passaram por um grande susto nesta terça-feira (23). Após um curto-circuito na rede elétrica, o forro de uma das dependências da DPPA teve um princípio de incêndio. O curto-circuito chegou a desarmar uma das chaves dos disjuntores da Unidade Policial. Os policiais que estavam no plantão relataram que ouviram um barulho no forro da DPPA e pensaram se tratar de algum animal. Ao entrar na dependência de onde vinha o barulho, viram pedaços de fios derretidos sobre o micro-ondas e o forro do teto já derretido. Por sorte, o incêndio ficou restrito a essa parte, mesmo com o disjuntor da sala não tendo desarmado.

Problemas estruturais se arrastam há anos

As queixas em relação à estrutura da DPPA de São Leopoldo já são antigas. Em 2018, a UGEIRM já pedia a interdição do prédio. Após uma vistoria realizada pelo Corpo de Bombeiros, pela Defesa Civil e pela Vigilância Sanitária, atendendo à solicitação da UGEIRM, a conclusão a que os órgãos chegaram foi a de que a DPPA deveria ser interditada. A partir dessas denúncias, foram realizados alguns reparos na estrutura da Unidade Policial, que garantiram a manutenção do seu funcionamento.

Uma vistoria da Secretaria de Obras Públicas, realizada em julho de 2025, já apontava a total falta de condições do prédio que abriga a DPPA de São Leopoldo. De lá para cá, a situação só piorou. Segundo o relatório técnico de vistoria, a estrutura da DPPA apresentava graves problemas de conservação e risco à segurança dos servidores e da população. O documento apontava caráter emergencial para a realização de reformas urgentes, especialmente nas instalações elétricas, que apresentavam risco de curto-circuito e princípio de incêndio, com recomendação de interdição da rede elétrica até a correção dos problemas.

UGEIRM havia alertado sobre as condições da unidade

No início de maio deste ano, a UGEIRM continuava alertando sobre a falta de condições de funcionamento da mesma DPPA. Na ocasião, o sindicato relatava a visita realizada por seus diretores: “A direção da UGEIRM encontrou um cenário deplorável. As celas da delegacia estão em condições extremamente degradadas, as barras encontram-se enferrujadas, há falta de cadeados suficientes para garantir a segurança mínima da custódia e a estrutura física apresenta sérios riscos operacionais”. Infelizmente, nenhuma providência foi tomada e chegamos a um risco concreto de incêndio, como havia sido alertado pela vistoria da Secretaria de Obras Públicas.

Sindicato cobra interdição e reforma imediata

O vice-presidente da UGEIRM, Fabio Castro, exige providências imediatas: “Não podemos esperar que aconteça uma tragédia. A manutenção em funcionamento de uma Unidade Policial que a própria Secretaria de Obras Públicas define como um risco à segurança dos policiais e da população é uma irresponsabilidade. O Governo precisa tomar uma providência imediata, com a interdição da unidade e uma reforma profunda do prédio, para que ele possa retomar seu funcionamento. Sabemos dos transtornos que isso causará, mas, diante da situação atual, a administração não pode titubear. Antes de qualquer coisa, está a integridade física dos policiais civis e da própria população. É importante lembrar que a DPPA mantém presos em suas celas. Um princípio de incêndio pode significar uma tentativa de fuga, o que representa um risco, inclusive, para as pessoas que estiverem fora da DPPA”.