Mais uma exoneração na Polícia Civil e outras três no IGP colocam Segurança Pública no caminho do colapso
A semana começou com um cenário que tem se tornado cada vez mais comum na Segurança Pública do Rio Grande do Sul: novas exonerações. Desta vez, uma na Polícia Civil e outras três no Instituto Geral de Perícias (IGP). As baixas, que vêm ocorrendo de forma contínua, têm impacto direto no funcionamento da Polícia Civil e no atendimento à população. Com essa nova exoneração, a Polícia Civil caminha a passos largos para 50 exonerações somente nesse ano.
Essas exonerações atingem todos os setores e refletem o descaso do governo estadual com os profissionais da segurança pública. Além das saídas já registradas na Polícia Civil e no IGP, a Polícia Penal, por exemplo, contabiliza mais de 100 exonerações apenas em 2025. O resultado é um problema sistêmico: a falta de efetivo em um setor compromete o funcionamento de toda a estrutura da segurança pública.
Um exemplo claro é o de Bento Gonçalves, onde, devido à carência de servidores no IGP, policiais civis precisam se deslocar cerca de 100 quilômetros até Caxias do Sul para realizar exames de corpo de delito e atendimentos a vítimas de violência sexual — um deslocamento que atrasa investigações e prejudica o acolhimento das vítimas.
Para a UGEIRM, a política adotada pelo governo Eduardo Leite, que privilegia ações de caráter midiático em detrimento da valorização dos servidores, ameaça os avanços obtidos na redução dos índices de criminalidade.
O vice-presidente da UGEIRM, Fábio Castro, alerta para os riscos de repetir erros do passado: “em 2015, já vivemos uma situação semelhante. A insensibilidade e a arrogância de um governante foram capazes de anular em pouco tempo todo um trabalho de valorização dos servidores e de estruturação de políticas de Estado no combate à criminalidade. Uma política de segurança, por mais bem planejada que seja, não se sustenta sem o seu elemento mais importante: os profissionais responsáveis por executá-la no dia a dia”, ressalta Fabio Castro.
Para o dirigente sindical, o que se observa hoje no Rio Grande do Sul é uma “bolha prestes a estourar”, com risco de colapso na segurança pública caso o governo não adote medidas urgentes de valorização dos servidores e reposição do efetivo.

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