UGEIRM cobra proteção aos policiais civis após inspetor baleado em operação do Denarc
Na manhã desta terça-feira (5), o inspetor Leandro Sailer de Lima foi baleado durante a Operação Shotgun, do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), na zona sul de Porto Alegre. A ação mirava uma quadrilha envolvida no tráfico de drogas e na venda ilegal de armas, com ramificações dentro e fora do sistema penitenciário. Durante a operação, 30 pessoas foram presas. Leandro Sailer, que atua na Decap/Deic e prestava apoio aos colegas do Denarc, foi encaminhado ao HPS e, após atendimento e retirada do projétil da coxa, recebeu alta ainda no final da manhã. Seu estado de saúde é estável.
O ataque a tiros, que poderia ter terminado de forma trágica, acendeu novamente o alerta da UGEIRM. De acordo com informações obtidas pelo sindicato, os criminosos reagiram ao acharem que os policiais civis se tratavam de membros de uma facção rival, que estariam disfarçados de policiais. Para o sindicato, o episódio é mais uma evidência da crescente ousadia do crime organizado e da urgente necessidade de valorização e proteção dos(as) policiais civis que atuam na linha de frente do combate ao tráfico de drogas e às organizações criminosas.
PL da qualificadora para crimes cometidos com uso de vestimentas ou símbolos policiais tem que ser aprovado
O episódio de hoje, que acabou com mais um colega baleado durante uma operação policial, demonstra a importância da aprovação do Projeto de Lei, articulado pela UGEIRM, que cria uma qualificadora para crimes cometidos por criminosos utilizando uniformes ou símbolos das forças de segurança. Esse projeto visa, principalmente, punir com mais rigor quem tenta se aproveitar da identidade visual das instituições policiais para cometer crimes. Essa prática tem se tornado cada vez mais comum entre facções criminosas, colocando em grande risco os policiais que participam das operações.
O sindicato também volta a cobrar da Chefia de Polícia e do Governo do Estado a disponibilização de escudos balísticos para os(as) agentes que participam de operações policiais. Em operações como a realizada pelo Denarc, que envolvem o cumprimento de dezenas de mandados contra grupos armados, a falta de equipamentos de proteção adequados coloca em risco direto a vida dos policiais.
O vice-presidente da UGEIRM, Fabio Castro, reafirma que “não é aceitável que os(as) policiais entrem em ambientes altamente perigosos sem o mínimo de proteção. A ausência de escudos balísticos é uma falha grave de segurança institucional. Estamos falando de agentes que enfrentam criminosos com armamento pesado, e que merecem voltar vivos para casa”.
Polícia Civil continua enfrentando o crime organizado mesmo com salários defasados e estrutura precária
A operação da Polícia Civil, que resultou na prisão de 30 pessoas e no cumprimento de 38 mandados de prisão, foi conduzida pela 2ª Delegacia de Investigações do Narcotráfico do Denarc. A investigação revelou uma sofisticada rede criminosa que negociava armas, drogas e veículos, com atuação de presos dentro de várias unidades prisionais do Estado. Entre as armas comercializadas, estavam fuzis e pistolas adaptadas para rajadas automáticas. O grupo também utilizava estratégias para evitar a identificação, como a troca de placas e veículos, além da comercialização de entorpecentes sintéticos como ecstasy.
Mesmo diante de um cenário cada vez mais desafiador, os(as) policiais civis do Rio Grande do Sul seguem mostrando profissionalismo e coragem. “Trata-se de um trabalho investigativo extremamente qualificado, que exige tempo, técnica e inteligência policial. Os resultados obtidos, mesmo com as condições precárias de estrutura, efetivo reduzido e arrocho salarial, demonstram o compromisso da categoria com a segurança pública”, destaca o presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz.
A direção da UGEIRM reforça que continuará pressionando por melhores condições de trabalho, efetivo compatível com as demandas da Polícia Civil e investimentos reais na segurança dos(as) servidores(as). Ao mesmo tempo, exige que o governo Eduardo Leite encaminhe, com urgência, medidas que reconheçam e valorizem quem enfrenta, todos os dias, o poder armado e financeiro do crime organizado. Entre essas medidas, estão o reajuste salarial e retomada imediata da simetria dos Comissários com os Capitães da Brigada Militar, quebrada no início do primeiro mandato do Governador Eduardo Leite.
