UGEIRM elabora tabela com reajuste salarial dos Policiais Civis para entregar aos candidatos
Com base em um estudo elaborado pelo DIEESE, a pedido da UGEIRM, a direção do sindicato elaborou uma nova tabela de subsídios para os Policiais Civis (veja ao final da matéria), prevendo a reposição integral das perdas salariais acumuladas, ganho real baseado no crescimento da arrecadação tributária do Estado e uma política salarial que preveja a reposição anual das perdas salarias. A proposta será entregue aos candidatos ao Governo do Estado e ao Parlamento, acompanhada de um conjunto de propostas para o fortalecimento da Segurança Pública gaúcha.
O estudo do DIEESE revela que as perdas salariais dos Policiais Civis gaúchos devem chegar a 26,40% até outubro deste ano. Isso significa que o poder de compra da categoria terá uma redução superior a um quarto durante os dois governos de Eduardo Leite. Em termos práticos, o policial civil que conseguia comprar 12 quilos de carne por mês no início do governo hoje compra apenas nove quilos com o mesmo salário.
O estudo demonstra, ainda, que, no mesmo período, a arrecadação tributária do Rio Grande do Sul registrou um crescimento real de 6,4%. Ou seja, mesmo com mais recursos ingressando nos cofres públicos, os Policiais Civis continuaram sofrendo com o arrocho salarial promovido pelo governo Eduardo Leite.
O vice-presidente da UGEIRM, Fabio Castro, ressalta que “os candidatos só vão se comprometer com essas propostas se a nossa categoria cobrá-los em suas bases eleitorais. É fundamental que os policiais se organizem em suas regiões para apresentar as nossas propostas aos candidatos e exigir deles um compromisso com a valorização da Polícia Civil. Este é o momento em que temos uma grande ferramenta para alcançar os nossos objetivos: o voto. Precisamos deixar claro que quem não se comprometer com a valorização dos policiais civis não terá o nosso voto nem o de nossos familiares.”
Policiais Civis entregam resultados históricos apesar do arrocho salarial
Mesmo acumulando perdas salariais de 26,40%, os Policiais Civis alcançaram resultados históricos no enfrentamento à criminalidade. Entre 2019 e 2026, o número de homicídios caiu 44%, os Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) registraram redução de 40% e os latrocínios (roubos seguidos de morte) diminuíram 57%.
Esses resultados foram alcançados mesmo diante do grave arrocho salarial, das precárias condições de trabalho e de um déficit histórico de efetivo que, de acordo com estudo publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), chega a 40% no Rio Grande do Sul.
Mas esse desempenho tem cobrado um preço elevado da categoria. O adoecimento mental e o número de suicídios aumentam ano após ano, as exonerações seguem em ritmo acelerado e os afastamentos por licença médica permanecem elevados. Essa realidade alimenta um ciclo perverso: salários defasados e condições inadequadas de trabalho provocam adoecimento e evasão de profissionais; a redução do efetivo sobrecarrega ainda mais os policiais que permanecem na ativa, agravando as condições de trabalho.
Fabio Castro afirma que “se o governo realmente pretende manter de forma sustentável a redução dos índices de violência, é preciso romper esse ciclo. A melhor forma de fazer isso é por meio de uma política salarial que recomponha as perdas acumuladas e assegure ganhos reais aos Policiais Civis. Foi exatamente com esse objetivo que elaboramos essa proposta de tabela salarial, e vamos cobrar dos candidatos um compromisso concreto com a valorização da nossa categoria.”
Veja, abaixo, a tabela elaborada pela UGEIRM

