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Unidades Policiais de Caxias do Sul sofrem com alagamentos e condições precárias

As fortes chuvas do último final de semana não afetaram apenas o Palácio da Polícia, em Porto Alegre. Unidades Policiais do interior do estado também sofreram sérios danos. Em Caxias do Sul, a 1ª Delegacia de Polícia e a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) foram duramente atingidas, escancarando a precariedade estrutural das instalações.

Segundo relatos de policiais civis, os problemas na 1ª DP não são novos. Somente nos últimos seis meses, o prédio foi alvo de dois alagamentos graves, que causaram infiltrações e perdas materiais significativas. No primeiro episódio, os bombeiros instalaram uma lona provisória na cobertura — medida que se mostrou ineficaz para conter as chuvas recentes. Servidores relatam que, a cada precipitação mais intensa, os danos retornam de forma cada vez mais grave. Documentos e mobiliário já foram perdidos, o que compromete o trabalho de investigação, o atendimento à população e coloca em risco a integridade física dos policiais.

Situação semelhante é enfrentada pela DPCA de Caxias do Sul. No fim de junho, a direção da UGEIRM havia visitado a unidade e constatado as más condições de infraestrutura, enviando um ofício à Delegacia Regional para solicitar providências. Contudo, nada foi resolvido. No último fim de semana, a cena voltou a se repetir: alagamentos, goteiras e policiais improvisando soluções para salvar equipamentos e documentos, secando o chão e tentando evitar novos prejuízos. Além disso, o prédio apresenta buracos no piso, paredes mofadas, janelas danificadas por cupins e um depósito completamente abarrotado.

Estado se nega a cumprir decisão judicial que exige PPCI em Unidades Policiais de Caxias do Sul

Em 2021, o Ministério Público ajuizou uma Ação Civil Pública contra o Estado do Rio Grande do Sul, exigindo que fossem adotadas medidas para garantir os Alvarás de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI) dos prédios da Polícia Civil em Caxias do Sul. A decisão judicial, transitada em junho do mesmo ano, deu ao Estado o prazo de um ano para cumprir a determinação, sob pena de interdição das unidades. Com o fim do prazo sem a regularização dos PPCIs, o MP pediu o cumprimento da sentença, reforçando o risco à segurança dos servidores e da população.

Apesar de alegar estar tomando providências “urgentes”, o Estado vem solicitando prorrogações sucessivas, sem apresentar solução definitiva para o problema. Diante da demora, a UGEIRM fará um pedido para ingressar como terceiro interessado na ação, buscando pressionar o Judiciário a adotar medidas concretas que assegurem condições mínimas de trabalho e segurança para os policiais civis de Caxias do Sul.

O presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, criticou duramente a falta de ação do governo do estado: “os problemas enfrentados pelos policiais de Caxias do Sul são apenas um exemplo do que ocorre no interior do estado. O governo demonstra completo descaso com as condições de trabalho da Polícia Civil. Enquanto o governador divulga vídeos de viaturas novas e maquetes de uma polícia de primeiro mundo, a realidade são policiais de rodo na mão, tentando drenar a água para poder trabalhar, em delegacias ameaçadas de desabamento, com paredes mofadas e rede elétrica em condições perigosas”, afirmou.

O Vice-presidente da UGEIRM, Fabio Castro, alerta para os riscos à vida dos servidores: “não podemos esperar que uma tragédia como o incêndio da Secretaria de Segurança se repita. Se um policial perder a vida em um desabamento ou incêndio, de nada adiantarão homenagens e discursos emocionados.”