Eduardo Leite usa policiais gaúchos para promover sua campanha nacional
O governador Eduardo Leite não perde a oportunidade de tentar promover sua futura campanha eleitoral — mesmo que isso signifique prejudicar o trabalho das nossas Unidades Policiais e usar a integridade física dos policiais do Rio Grande do Sul como ferramenta de marketing político.
Após uma operação policial no Rio de Janeiro, que teve repercussão em todo o Brasil e até internacionalmente, o governador gaúcho — em uma clara tentativa de fazer propaganda e se posicionar no debate nacional sobre segurança pública — anunciou a oferta de forças policiais do Rio Grande do Sul para “auxiliar” o governo fluminense no combate ao tráfico de drogas.
Essa iniciativa revela, mais uma vez, como o governador enxerga os profissionais da segurança pública: como peças de autopromoção. Talvez ele imagine que o envio de policiais ao Rio de Janeiro possa render boas imagens para suas redes sociais. É fácil imaginar o “governador digital” posando para fotos, com seu sorriso ensaiado, ao lado de agentes que deixarão os seus já sobrecarregados locais de trabalho, para servir de peça de propaganda eleitoral do futuro candidato Eduardo Leite.
Mas há perguntas que o governador não responde:
- Se as Unidades Policiais já estão totalmente sobrecarregadas, até com policiais cumprindo escalas de 24 X 72, de onde sairão esses policiais “cedidos” ao governo do Rio de Janeiro? Sairão das mais de 80 delegacias do interior do estado com apenas 1 policial?
- Os policiais que vão para o Rio de Janeiro, receberão as diárias a que têm direito ou, mais uma vez, terão que custear suas próprias refeições, como tantas vezes ocorre no Rio Grande do Sul?
- Diferente do que acontece aqui no RS, serão pagas as horas extras integrais aos policiais que forem para o Rio de Janeiro?
- No Rio de Janeiro, finalmente, vamos ter escudos balísticos para proteger os policiais gaúchos nas operações policiais?
Infelizmente, sabemos que essas perguntas ficarão sem resposta. O governador e sua equipe demonstram grande aversão a qualquer tipo de questionamento — especialmente quando parte dos representantes da Polícia Civil.
A verdade é que Eduardo Leite tenta capitalizar politicamente sobre o trabalho das forças de segurança, o mesmo trabalho que ele insiste em desvalorizar. Enquanto busca holofotes em nível nacional, ignora o que acontece dentro do próprio estado: policiais sem reajuste há anos, servidores exaustos pela sobrecarga de trabalho e Unidades Policiais em condições precárias.
O governador pode até tentar transformar a imagem dos policiais em vitrine para sua campanha, mas a realidade do dia a dia nas Unidades Policiais gaúchas desmente o discurso de eficiência que ele tenta vender ao país.
