UGEIRM debate equidade racial e de gênero com Subchefia da Polícia Civil
Representantes da UGEIRM reuniram-se, na quarta-feira (17), com a subchefe da Polícia Civil, delegada Patrícia Tolotti, para tratar de pautas relacionadas à equidade racial, ao enfrentamento do racismo institucional e à promoção dos direitos das mulheres no âmbito da instituição.
Participaram do encontro a diretora do sindicato Neiva Carla Back, a inspetora Cândida Fernanda e a escrivã Mirela Rodrigues. Na ocasião, as representantes apresentaram o Grupo de Trabalho Consciência Negra, que tem como eixos centrais a valorização e a ampliação da representatividade de policiais civis negros e negras, a formação e conscientização do efetivo e o enfrentamento ao racismo institucional.
Um dos pontos destacados na reunião foi a importância de refletir sobre o papel das mídias institucionais, de modo a evitar a reprodução da invisibilização da população negra, frequentemente observada nas mídias empresariais. A inspetora Cândida Fernanda ressaltou que “as mídias, incluindo as redes sociais, não são neutras: elas constroem narrativas e formam opinião. Quando policiais negros e negras são invisibilizados ou, pior, quando pessoas negras aparecem apenas em situações antagônicas à imagem de um policial bem-sucedido, reforça-se o imaginário de que esses espaços não lhes pertencem”. Segundo ela, essa invisibilidade impacta tanto o público interno quanto o externo, afetando a autoestima e a motivação de policiais negros, a confiança da população — especialmente em comunidades negras — e a legitimidade democrática da Polícia Civil como instituição pública.
Outro tema da pauta foi a apresentação do Coletivo Mulheres da UGEIRM, iniciativa voltada ao enfrentamento das violências de gênero e de todas as formas de assédio, à promoção da equidade de direitos e oportunidades e ao acolhimento por meio da escuta qualificada. As ações desenvolvidas pelo coletivo são consideradas fundamentais para o fortalecimento do protagonismo feminino e negro dentro da corporação.
Durante o encontro, as integrantes do coletivo apresentaram os resultados da pesquisa sobre assédio, realizada pela UGEIRM com a coordenação do Coletivo, que contou com a participação de quase 900 policiais civis. A partir do resultado da pesquisa, foi reivindicada a criação de um protocolo institucional de atendimento às vítimas de assédio moral e sexual na Polícia Civil, abrangendo tanto mulheres quanto homens. Também foi destacada a necessidade da criação de uma campanha permanente de esclarecimento sobre o assédio na Polícia Civil, com a finalidade de acabar definitivamente com a prática do assédio na Instituição.
“Os dados da pesquisa demonstram que as mulheres são as principais vítimas desse tipo de violência, o que reforça a urgência da adoção de medidas efetivas de enfrentamento”, destacou Neiva Carla Back. “Também solicitamos a criação de uma ouvidoria específica e a implementação de uma campanha permanente da instituição contra o assédio”, acrescentou.
Ao final, a diretora avaliou positivamente o encontro. “Foi uma reunião muito produtiva, marcada pelo respeito e pela escuta por parte da Subchefia da Polícia Civil. Esperamos dar continuidade a essas ações e contar com o apoio institucional para promover um ambiente de trabalho mais seguro, justo e inclusivo para todos e todas”, concluiu.
