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Decisão do TJ superlota celas de delegacias e Governo finge que não tem nada a ver com isso

Essa quinta-feira (23) é mais um dia de inferno para os policiais civis da Capital e Região Metropolitana. A situação, que parecia insuportável no dia de ontem, com 62 presos em delegacias e viaturas, ultrapassou todos os limites nesta quinta-feira (23). Ao meio-dia, 76 presos estavam empilhados em celas de delegacias ou algemados em viaturas nos pátios e na frente das delegacias.

No Palácio da Polícia, que fica na principal avenida da Capital, doze detidos aguardavam vaga na 2ª DPPA, seis deles em viaturas da Brigada Militar e da Polícia Civil. Um desses presos está com tuberculose, colocando a saúde dos policiais e dos pedestres em risco de contágio. Próximo a ele, outro detido informava que necessitava de hemodiálise.

No interior do prédio, que se encontra em ruínas, o relato dos policiais é dramático. Todas as celas estão superlotadas, com presos sem comida e sem poder ir ao banheiro. Pela manhã, familiares entregavam comida para presos que estavam em uma das viaturas, e sacos de pão eram levados para o interior do Palácio da Polícia, para que fossem dados aos presos.

Na 3ª DPPA (Zona Norte de Porto Alegre), um preso entrou em surto e, ao se jogar contra as grades, ficou preso nelas. Depois de se soltar, tentou se matar, sendo impedido pelos policiais. Na Região Metropolitana, Litoral e interior do estado, a situação também é caótica. Na DPPA de Gravataí, por exemplo, dez presos ocupavam uma cela minúscula. O mesmo acontece em Caxias do Sul, com dez presos em uma cela em que mal cabem três pessoas. Também há relatos de presos em delegacias de Canoas, Tramandaí, Viamão, Alvorada, Butiá, Novo Hamburgo, Capão da Canoa e Torres.

Governo beira a negligência e não recorre contra decisão do TJ

A situação, que já vinha piorando desde o início do ano, chegou ao caos total após a decisão judicial da última sexta-feira (17), que proibiu a entrada de novos presos por mandado no Nugesp, em Porto Alegre. O objetivo do Tribunal de Justiça é conter a superlotação da unidade. Somente presos em flagrante passaram a ser aceitos no Nugesp. O restante dos presos deve continuar sob responsabilidade da Polícia Civil e da Brigada Militar.

Provando o seu total descaso com a vida dos policiais que entregaram recordes de queda da violência no estado, Eduardo Leite não se deu ao trabalho de nem mesmo entrar com um recurso contra a decisão do Tribunal de Justiça. Quando o sindicato ameaçou uma greve, a assessoria jurídica do governo agiu rapidamente, conseguindo uma liminar que ameaçava o sindicato de multa em caso de paralisação contra os desmandos do seu governo. Esse é o modus operandi do governo Eduardo Leite: para conter policiais, agilidade; para resolver o caos, silêncio e post sorridente no Instagram. Enquanto o Governo não recorre, o Tribunal de Justiça do Estado afirma que a decisão segue valendo. Só haverá mudança se o Estado ou outra parte ingressar com recurso contra a decisão.

Caos nas Delegacias não será resolvido com trilhas e post no Instagram

O vice-presidente da UGEIRM, Fabio Castro, pondera que “talvez o governador ainda esteja deprimido e precisando espairecer, após ser, novamente, escanteado pelo seu partido na disputa pela candidatura à Presidência da República. Mas, infelizmente, os policiais civis não têm tempo nem mesmo para ficar deprimidos. Precisam resolver os problemas criados pela incompetência desse governo de Instagram. No feriado, o governador estava nos Aparados da Serra fazendo uma trilha; na semana passada, ele estava dançando no palco, no lançamento da candidatura do seu vice a governador. Nesses mesmos dias, nós estávamos percorrendo as delegacias, tentando dar apoio aos nossos colegas, que estavam à beira do colapso, tentando atender a população, evitando suicídios dentro de celas superlotadas e tentando impedir que o sistema desmorone de vez”.

Fabio prossegue, prevendo a piora da situação: “sabemos que, definitivamente, não podemos contar com esse governo, que chega ao seu final de forma melancólica. Por isso, apelamos aos outros poderes do estado. O Legislativo, o Judiciário e o Ministério Público precisam se manifestar. A UGEIRM, junto com a ASDEP, já está estudando as medidas judiciais possíveis de serem tomadas. Infelizmente, a sensação é de que não temos, no Palácio Piratini, alguém com a maturidade suficiente para lidar com problemas desse tamanho. O Sr. Eduardo Leite e seu vice, Gabriel Souza, são bons para fazer dancinha e posts no Instagram, mas não para resolver o caos que se instala na segurança pública. Nessas horas, precisamos que os adultos estejam na sala e tomem providências. E é isso que nós vamos fazer”, encerra o vice-presidente da UGEIRM