Em nota oficial, Ugeirm lamenta o resultado de julgamento em Caxias do Sul

Foto_ugeirm_siteA UGEIRM/Sindicato lamenta, profundamente, o resultado do julgamento de Douglas Faoro de Castro, autor do crime de homicídio cometido contra o Inspetor de Polícia Luis Antônio Medeiros de Mattos, ocorrido em 2011, em uma ação da Polícia Civil para coibir o tráfico de drogas.

No dia 7 de outubro de 2011, uma equipe da 3ª Delegacia de Polícia de Caxias do Sul, composta pelo Inspetor Luis Antonio Medeiros de Mattos, Escrivão Guilherme Eduardo Brenner Michael, Inspetora Maura Juliane Frainer e o Delegado Marcelo Grolli, deslocou até o Bairro São José, em Caxias do Sul, para apurar uma denúncia de tráfico de entorpecentes.

O local, composto de um misto de estacionamento e bar com quartos para aluguel, era vasculhado pelos policiais quando o Inspetor Mattos, após identificar-se como Policial Civil,  forçou a entrada em um dos tantos quartos ali existentes e foi surpreendido com a reação violenta de Douglas Faoro de Castro que, usando um revólver calibre 38 com numeração raspada, disparou contra o Inspetor Mattos, o alvejando na altura do pescoço. No chão, Mattos recebeu mais um disparo no peito, mortal. O criminoso, de posse da arma do Inspetor Mattos, efetuou outros tantos disparos contra o Delegado Grolli e Escrivão Brenner. Houve uma intensa troca de tiros, na qual o Delegado Grolli foi gravemente ferido na perna esquerda, mão esquerda, antebraço direito e peito. Na troca de tiros, Maria de Fátima Sousa, que estava presente no local, foi atingida com tiro fatal no coração. O criminoso só cessou o ataque ao ser atingido pelos disparos efetuados pelo Escrivão Brenner que o prendeu logo em seguinda.

A ação resultou na morte do Inspetor Mattos, covardemente executado de emboscada, sem chances de defesa. Maria de Fátima, atingida pelos disparos efetuados pelo criminoso, também perdeu a vida. O Delegado Marcelo Grolli restou gravemente ferido, tendo se submetido há 16 cirurgias para buscar corrigir as sequelas físicas que permanecem.

A dimensão da tragédia adquire maiores proporções na medida em que o colega Mattos deixou família, amigos, colegas de trabalho e uma filha pequena, traumatizados pela perda precoce de um policial exemplar, de conduta ilibada.

Passados pouco mais de três anos, o Inspetor Mattos agora é atingido novamente; desta vez, na sua memória. Os mais de vinte anos dedicados à carreira policial que abraçou e o trágico desaparecimento não representou nada. A agressão se estende a Maura, Brenner e Grolli e também a todos os policiais civis gaúchos. A recente decisão do júri deliberou: os disparos deflagrados pelo criminoso Douglas Faoro de Castro, os quais assassinaram o Inspetor Mattos não foram intencionais. Tampouco as sequelas físicas e o trauma gerados no Delegado Marcelo Grolli. O risco de morte dos policiais Brenner e Mauren não pesaram no momento da decisão do corpo de jurados ?

O homicida foi condenado a pouco mais de cinco anos de regime semi aberto por homicídio culposo de Mattos e Maria. Pelos dois homicídios o autor do crime obteve a condenação de apenas um ano e um ano e seis meses, respectivamente! Ainda, restou condenado pelo crime de lesão corporal, sem a intenção deliberada de matar, contra o Delegado Marcelo Grolli quando devia ser homicídio. Preso desde o fato e tendo cumprido pouco mais de três anos de prisão, Douglas Faoro de Castro será posto em liberdade.

Repudiamos de forma veemente essa decisão absurda. Cada policial civil gaúcho foi agredido e morre um pouco ao constatar que, de acordo com a deliberação do Tribunal do Júri de Caxias do Sul/RS, suas vidas possuem um valor muito pequeno. Exigimos a anulação desse resultado e a realização de um novo julgamento!

Decisões como essas reforçam a impunidade e contribuem para o aumento da violência endêmica que atinge o País. Atentados contra a vida de policiais não podem ser considerados atos banais principalmente quando o ataque se dá contra aqueles que assumem o risco de perder suas vidas em defesa da sociedade. O Departamento Jurídico da UGEIRM já solicitou seu ingresso como assistente de acusação no caso.