Pais protestam contra falta de professores em escola infantil de Porto Alegre

Luís Eduardo Gomes

Pais, mães e avós de crianças matriculadas na Escola Municipal de Educação Infantil Santo Expedito, localizada na norte da Capital, realizaram neste domingo um abraço coletivo ao colégio em protesto contra a falta de professores. Inaugurada em dezembro do ano passado para ter capacidade para 171 crianças, a escola atende apenas 60 alunos porque não tem professores suficientes para atender os demais, apesar de cerca de 100 já estarem matriculados. Inaugurada em dezembro após um investimento de R$ 1.497.090,41, a escola está com toda a infraestrutura pronta, mas a falta de corpo docente impede que ela opere integralmente.

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Procurada para reportagem publicada no Sul21 no dia 13 de junho, a direção da EMEI Santo Expedito informou que apenas três turmas do jardim de infância estavam em funcionamento e atendendo 60 crianças entre 4 e 5 anos. Segundo a vice-diretora Lia Fernanda Fadini, faltam quatro professores com carga horária de 20 horas – ou dois com 40 horas – e 24 monitores para que as demais turmas possam ser abertas. Já a Secretaria Municipal de Educação (SMED) estimou em 16 o déficit de profissionais, entre educadores e monitores e não deu prazo para regularização da situação.

Avó de duas crianças matriculadas na escola, uma menina de 3 anos e um menino de 2 anos, Egiselda Charão reclama do fato de que, até o momento, a Prefeitura não oferece qualquer perspectiva de quanto as aulas de seus netos irão começar. “É um sentimento de impotência. O pessoal nos coloca de um lado para o outro. Nos mandam falar com a Smed, nos mandam falar com a direção e ninguém tem resposta precisa. Respondem que estão aguardando o prefeito convocar professores.

Abraço coletivo reuniu crianças matriculadas e familiares neste domingo | Foto: Arquivo Pessoal

Enquanto a escola não abre as novas turmas, Egiselda diz que é ela que fica com os netos, uma vez que os pais das crianças trabalham. Ela diz que a família tentou conseguir vaga em outras três escolinhas, mas não conseguiu. “O preocupante não é a gente cuidar, é o desenvolvimento das crianças. Elas precisam de atividades para desenvolver o raciocínio, as capacidades motoras”, salienta.

Para Mariane Junqueira, mãe de uma menina de 4 anos recém completos matriculada no maternal, o fato de não ter com quem deixar a filha no horário de aula também é um problema. Em razão disso, atualmente só o seu marido trabalha na família. “Estou aguardando que a turma dela comece para poder voltar para o mercado de trabalho. A maioria das mães estão nessa situação, muitas perderam o emprego para poder ficar com as crianças. E a gente não tem posição nenhuma. Está bem difícil a situação”, diz Mariane, que também não conseguiu vagas em outras escolas.

Neste domingo, Egiselda e Mariane, juntamente com dezenas de outras pessoas, participaram do abraço coletivo para ajudar a chamar a atenção para a situação e cobrar da Prefeitura o chamamento de professores concursados para suprir essas vagas.