Após recursos, Leite reduz de 10 para 6 as regiões do RS sob bandeira vermelha

Da Redação

Em transmissão realizada pelas redes sociais no final da tarde desta segunda-feira (6), o governador Eduardo Leite anunciou a atualização final das bandeiras do protocolo do modelo de distanciamento controlado para o enfrentamento ao novo coronavírus que irão vigorar entre os dias 7 e 13 de julho. Na sexta-feira (3), quando o mapa preliminar havia sido divulgado, foram atribuídas bandeiras vermelhas — o segundo maior nível de risco — par dez regiões do Estado. Após a análise de 37 recursos de prefeituras ou de associações de municípios, o governo decidiu atender as demandas das regiões de Taquara, Erechim, Passo Fundo e Caxias do Sul e reduzir o nível de risco.

O governador iniciou sua fala dizendo que o RS vive uma situação de agravamento da pandemia, que já era esperada, mas que está se confirmando, o que exige protocolos mais restritivos e rigorosos. Afirmou ainda que os próximos 15 dias serão o momento mais sensível da pandemia até aqui, destacando o fato de que há um “consistente” e “persistente” aumento de internações de pacientes de covid-19 em UTIs na Região Metropolitana.

Mudanças no mapa

No mapa preliminar divulgado na sexta-feira, a região de Taquara migrava da bandeira amarela para a bandeira vermelha, as regiões de Palmeira das Missões, Erechim, Pelotas e Caxias do Sul migravam da bandeira laranja para a vermelha e a região de Bagé da amarela para a laranja. Ainda permaneciam em bandeira vermelha as regiões de Capão da Canoa, Novo Hamburgo, Canoas, Porto Alegre e Passo Fundo. Pelo mapa preliminar, a única região com diminuição de risco seria a de Santo Ângelo, da vermelha para a laranja.

Após a análise dos recursos, confirmou-se a migração da bandeira laranja para a vermelha apenas nas regiões de Palmeira das Missões e de Pelotas. Bagé migra para a bandeira laranja e Taquara, que saltava direto da amarela para a vermelha, teve atribuída a bandeira laranja. Além disso, Passo Fundo, que estava em bandeira vermelha na semana passada e deveria permanecer na mesma situação, teve o risco reduzido para a bandeira laranja.

Dessa forma, as regiões de Erechim e Caxias do Sul permanecem na bandeira em que já estavam, laranja. Outros municípios que tiveram o pedido de recurso aceito foram Ivoti, Rodeio Bonito, Paim Filho, Não-Me-Toque e São Marcos. Por estarem há 14 dias sem registrar novos óbitos e novas internações, estes municípios podem adotar restrições menos rígidas do que as suas regiões.

Leite destacou que a reconsideração não muda o fato de que as regiões que tiveram o nível de risco reduzido precisam redobrar cuidados para conter o avanço do vírus. “Nós observamos, a partir de alguns indicadores, riscos, sim, para o futuro. Mas não em nível suficiente para que ainda solicitássemos um sacrifício a mais nessas regiões, com restrições econômicas tão severas”, disse.

Justificativa para as reconsiderações

Em relação a Taquara, Leite destacou que o aumento de 200% no número de internações de uma semana para outra, que havia pesado na indicação preliminar de bandeira vermelha, ainda era sob uma base de casos muito pequena, de 2 para 6, o que permitiu a reconsideração e atribuição de bandeira laranja para a região.

No caso da macrorregião Norte, que engloba as regiões de Erechim e Passo Fundo, Leite destacou que o aumento de 64 para 92 leitos de UTI dedicados a pacientes de covid-19 permitiu que as regiões tivessem atribuída a bandeira laranja, mesmo apresentando crescimento no ritmo de novas internações. Neste sentido, Leite frisou que a região está sob alerta de ter restrições maiores, mas que ainda não há risco de falta de leitos.

“Se vier a se confirmar como tendência o crescimento das internações, certamente restrições maiores serão impostas, mas não é o suficiente para, neste momento, se impor restrições maiores”, disse .

Em relação a Caxias do Sul, que já havia tido a bandeira vermelha atribuída e reconsiderada na atualização da semana anterior, Leite destacou que também houve aumento na disponibilidade de leitos. Por outro lado, destacou que o aumento de 40 para 66 internações em leitos de UTI por covid-19 nas últimas duas semanas é um número preocupante.

“Mas o aumento substancial na oferta na Região da Serra, que chegou a operar com 36 leitos livres e agora tem mais de 80 leitos livres, ainda dá condições para, nas próximas semanas, termos um tempo para observar se há uma tendência de crescimento para a qual, se for necessário, serão impostas maiores restrições”, afirmou.

Os protocolos das bandeiras modificadas valem a partir desta terça-feira (7).