Policial Civil de Dom Pedrito é vítima de atentado com bomba

Na manhã de segunda-feira (19), um policial de Dom Pedrito encontrou, na frente da sua casa, uma mochila com um artefato explosivo. A família do policial estavam dentro da casa. Mesmo com a mochila tendo sido incendiada pela pessoa que a deixou na calçada, felizmente o artefato não explodiu e não causou nenhum dano. O GATE foi chamado ao local e detonou o explosivo. O próprio Inspetor acredita que o atentado envolva organizações criminosas de casos que ele atuou. Ele informou que já havia sofrido ameaças anteriormente. Na noite de terça-feira (20), a polícia civil prendeu uma mulher com itens utilizados para recarga de munição e pólvora. A participação dela está sendo investigada.

Na manhã desta sexta-feira (23), a Polícia Civil com o apoio da Brigada Militar, acabou prendendo um dos suspeitos do atentado. Ele já vinha sendo investigado por participar de um grupo criminoso suspeito de planejar e efetuar o atentado. A prisão preventiva foi decretada e um mandado de busca e prisão emitido na noite de quinta-feira (22). O nome do acusado não foi divulgado para não atrapalhar as investigações.

O atentado a um policial civil no interior do estado, acende um sinal de alerta para a população gaúcha. Ele é reflexo do crescimento do crime organizado nessas cidades, que já vinham tomando conta do noticiário policial, com os assaltos a bancos e o “Novo Cangaço”. Esse crescimento do crime organizado é consequência da política de desmonte que a segurança pública foi vítima nos últimos anos. O déficit de pessoal atingiu de maneira mais incisiva o interior do estado. O número de delegacias com apenas um policial é alarmante. Esse fato chamou a atenção do próprio crime organizado, que viu ali uma oportunidade de expansão. Por outro lado, as forças policiais têm grande dificuldade para conter esse crescimento, com as precárias condições matérias e os parcos recursos humanos.

Investimento na polícia investigativa é fundamental para conter o crime organizado

Além da apuração rigorosa do caso, com a prisão de todos os envolvidos, é necessário que esse crime seja encarado como um marco na reversão do crescimento do crime organizado no RS. O primeiro passo para isso, é a retomada, por parte do novo governo do estado, dos investimentos na polícia investigativa, pois essa é a principal maneira de desarticular o crime organizado no estado. Enquanto os policiais tiverem que lidar com a falta absurda de efetivo, salários em atraso e ainda cumprir a função de carcereiros nas delegacias, a situação só tende a piorar.

A contratação de novos policiais, anunciada pelo governo nessa semana, é um pequeno alento. Mas ainda insuficiente para as necessidades atuais, onde grande parte das delegacias do interior contam com apenas um policial civil. Uma das primeiras atitudes do novo governador, deve ser a convocação de todos os aprovados e a preparação imediata de um novo concurso. Além disso, como prometido durante a campanha, é preciso que tenhamos um cronograma definido com a realização de concursos públicos anuais que recupere o efetivo das polícias gaúchas.