Em cinco dias, dois chefões do crime no país são presos no RS

Duas vitórias recentes no campo da segurança pública ganharam espaço tímido na mídia, mas agora vamos dar o devido reconhecimento a elas. No curto espaço de cinco dias, ações de inteligência das polícias gaúchas e do Ministério Público Estadual resultaram na prisão de dois chefões do crime que atuavam em nível nacional. A primeira foi a prisão de um líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), maior facção criminosa do país, que estava escondido em Bento Gonçalves, na Serra. Foragido da Justiça, ele foi preso no dia 4, em uma casa com piscina aquecida, imóvel avaliado em R$ 1,5 milhão.

Alex Chervenhak, o Jota, é apontado como o responsável por um laboratório itinerante de cocaína, fato pelo qual já esteve preso em 2007. Em 2013, ele teria sido um dos responsáveis pela morte do policial federal Fábio Ricardo Paiva Luciano, atingido por um tiro de fuzil em Bocaina (SP). Os agentes interceptaram um avião Cessna carregado com 500 quilos de pasta base de cocaína, que seria comprada por Chervenhak, mas os bandidos reagiram a tiros e mataram o policial. Desde então, ele estava foragido. Foi encontrado em posse de carros de luxo, joias e relógios de alto valor.

Brigada Militar / Divulgação
Alex Chervenhak, o Jota, líder do PCC
preso em Bento Gonçalves (RS)
Brigada Militar / Divulgação

A prisão foi feita pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP Estadual, com apoio da Brigada Militar. Não foi um acaso e, sim, esforço de investigação bem-sucedido para desarticular um braço do PCC na serra gaúcha.

A outra ação ocorreu no dia 9. A Polícia Civil gaúcha investigou um grupo de forasteiros que se movia com discrição na cidade de Lagoa Vermelha, norte do RS. Contatou policiais civis do Pará e descobriu que poderia ser um grupo de assaltantes ligado ao “Novo Cangaço”, aquela modalidade de roubo no qual os bandidos fazem “cinturões humanos” com reféns, na saída de bancos.

Na mosca. O grupo era liderado por Paulo Henrique da Silva Junior, o Paulo Cicatriz, procurado por ataques a agências bancárias no Pará, Bahia, Goiás, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso.

Cicatriz tinha várias carteiras de identidade, em nome de sujeitos como Antônio José da Silva e Domingos da Silva. A identificação dele só foi possível pela ação do Instituto-Geral de Perícias (IGP), assim como já ocorrera com o líder do PCC na Serra, cinco dias antes.

Paulo Cicatriz era procurado por vários episódios de homicídios, latrocínios e roubos. Inclusive com mortes de policiais, porque sua quadrilha costuma atacar postos da PM antes dos roubos, para evitar reação policial aos assaltos a banco. 

Dois bandidos que estavam com vida mansa tiveram carreira abreviada em território gaúcho. Fica o recado: Rio Grande do Sul não pretende ser refúgio.