Governo Sartori ‘celebra’ doação de armas da Taurus para a Segurança Pública do RS

Da Redação

A empresa Taurus realizou a doação de 133 armas para as polícias estaduais do Rio Grande do Sul, nesta segunda-feira (21). O ato oficial de entrega ocorreu no Palácio Piratini, com a presença do governador José Ivo Sartori (MDB). Entre as armas estão 41 submetralhadoras, 41 fuzis e 51 pistolas, totalizando R$ 685 mil.

O governador “celebrou” a doação, que se soma a outras realizadas à pasta da Segurança Pública desde o início do ano. O Instituto Cultura Floresta, por exemplo, já havia doado 46 viaturas e equipamentos ao estado.

“Quando se tem boa vontade e disposição se consegue. O caminho que está sendo trilhado no Rio Grande do Sul vai servir de exemplo para o Brasil. Não somos orgulhosos e aceitamos ajuda”, afirmou Sartori.

O presidente da Taurus, Salesio Nuhs, disse que essa deve ser a primeira de “uma série de participações [da empresa] com a Segurança Pública. “A intenção é viabilizar aos nossos policiais melhores equipamentos para o trabalho no dia a dia. Achamos que esse gesto vai fazer a diferença lá na ponta e o caminho que estamos trilhando hoje apontam para um futuro melhor”, disse ele.

Segundo a assessoria do governo, entre os equipamentos doados estão armas da linha T Series, desenvolvida pela Taurus para o mercado militar e policial. Os modelos entregues teriam sido baseados na plataforma M4/M16, utilizados por forças militares, “por ser confiável, leve, de fácil emprego e manutenção”.

Empresa enfrenta processos por armas com defeitos

Com 77 anos de atuação como uma das maiores fabricantes de armas, a Taurus vem enfrentando denúncias por defeitos em suas armas há anos. Uma página no Facebook reúne relatos de pessoas que ficaram feridas por armas defeituosas. O nome: Vítimas da Taurus Brasil. Há um ano, as polícias do Rio Grande do Norte e da Bahia também passaram a investigar acidentes envolvendo policiais e armamentos da marca gaúcha.

Em novembro do ano passado, o Ministério Público Federal de Sergipe entrou com uma ação exigindo que a empresa recolhesse dez modelos de armas para “reparo, substituição ou indenização do valor pago”, tendo em vista que “a baixa qualidade das armas têm causado danos físicos e perdas de vidas humanas no Brasil”.

O órgão também pedia a “a quebra do monopólio e retirada de obstáculos à importação de armamento e munições”. Em maio de 2017, a Polícia Militar de São Paulo foi a primeira estadual do país a conseguir junto ao Exército a autorização para lançar um edital para compra de armas com fabricantes estrangeiros. No dia 17 de maio, o Ministério Público do Distrito Federal recomendou que a Polícia Civil recolhesse todas as armas compradas da empresa Taurus em 2014. O motivo seria uma falha no mecanismo contra disparos acidentais.

Segundo o Estatuto do Desarmamento, quando existe similar no mercado nacional, a importação seria proibida. Porém, depois de uma série de denúncias contra a Taurus, a principal fabricante brasileira, que vendeu armas com problemas à corporação, a exceção foi autorizada.

Fonte: Sul 21