Governo Temer/PMDB abre os cofres para “convencer” parlamentares a aprovar reforma da Previdência

Enquanto boa parte dos trabalhadores comemoravam as festas de fim de ano e começavam a gozar suas merecidas férias, o governo Temer/PMDB aproveita para fazer seu trabalho de “convencimento” dos parlamentares. Nas negociações do ministro Carlos Marun (aquele mesmo que ameaçou os governadores que não apoiassem a reforma da Previdência) foram colocados R$ 10 bilhões na mesa. Esse dinheiro seria oferecido aos parlamentares que votarem a favor da reforma, para ser utilizado em obras nos seus redutos eleitorais. Em português claro: compra de votos! O critério para realização de obras públicas não é a necessidade da população, mas sim se o parlamentar local vai votar ou não na reforma da Previdência.

No fim de dezembro, o mesmo ministro já tinha assumido que iria condicionar os empréstimos da Caixa Econômica Federal (CEF) aos estados, ao posicionamento dos governadores em relação à reforma da Previdência. O mesmo banco, a CEF, teve quatro vice-presidentes, além do seu presidente Gilberto Occhi, investigados pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, que pediram o afastamento de todos os vice-presidentes do banco. No entanto, Michel Temer, com medo de desagradar a sua base aliada, se nega a afastar os diretores suspeitos de corrupção. As diretorias da Caixa estão divididas entre indicações feitas pelo MDB, PR, PRB e o PP, partido de Gilberto Occhi.

Em dezembro, o governo já havia sancionado o perdão de mais de R$ 4 bilhões em dívidas dos produtores rurais com o FUNRURAL. A bancada ruralista é uma das maiores e mais influentes no Congresso Nacional. Os valores arrecadados com o FUNRURAL vão exatamente para os cofres do sistema geral de aposentadoria dos trabalhadores, aquele que o governo diz estar tentando salvar com a reforma. Com o seu gesto de “boa vontade” Temer/PMDB pretende garantir mais alguns votos para a reforma da Previdência.

Outra fonte de pressão, vem das agências de avaliação de risco. No dia 10 de janeiro, a Stand e Poor, uma dessas agências, divulgou um comunicado rebaixando a nota de crédito da dívida do Brasil de “BB” para “BB-“, devido, segundo eles, ao atraso na aprovação da reforma da Previdência. Essa Agência de classificação de risco, foi a mesma que garantiu os títulos subprime americanos, em 2008, cujo calote desencadeou a maior crise financeira mundial, desde 1929. Meses antes da quebra e do calote, a Stand & Poor avaliava esses títulos como investimentos de alta qualidade. São esses senhores que recomendam a aprovação da reforma da Previdência o mais rápido possível.

Essa é, provavelmente, a última oportunidade do governo Temer/PMDB de aprovar a reforma da Previdência. Para o governo, é fundamental a aprovação da reforma agora. 2018 é ano de eleição e o sistema financeiro, os maiores beneficiados com a privatização da previdência, são grandes financiadores de campanha. A previdência dos trabalhadores pode ser a salvação dos Fundos de Previdência privados, que acumulavam em agosto de 2017 um déficit de mais de R$ 70 bilhões.

Trabalhadores precisam se movimentar para pressionar parlamentares

Enquanto o governo se movimenta em busca dos votos que podem garantir a aprovação da reforma da Previdência, os trabalhadores não podem ficar parados. O período de recesso parlamentar é o ideal para encontrar os parlamentares em suas bases eleitorais. É o momento para conversar diretamente com os deputados, explicando o que significará o seu voto na reforma da Previdência. É preciso que eles saibam que a aprovação da reforma pode significar a perda do seu mandato em outubro de 2018.

O presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, dá o tom da conversa que os eleitores precisam ter com seus parlamentares. “Os deputados que ainda não se decidiram têm que saber que nem todo o dinheiro liberado pelo governo Temer/PMDB vai garantir a sua reeleição. Quem coloca os parlamentares em Brasília são os eleitores e esses não vão votar em quem quer acabar com a aposentadoria dos trabalhadores. Mas isso tem que ser dito diretamente aos parlamentares. A UGEIRM está divulgando os deputados que se declararam favoráveis à reforma e os que ainda não se posicionaram e suas respectivas bases eleitorais. Os policiais dessas cidades têm o dever de procurar os deputados para expor a posição da categoria e dos eleitores”, conclui Ortiz.

Veja abaixo a lista dos deputados e suas bases eleitorais, de acordo com levantamento do Jornal Zero Hora

A favor do projeto

Alceu Moreira (PMDB) – Osório, Tramandaí, Capão da Canoa e Torres

Darcísio Perondi (PMDB) – Ijuí

Não foram encontrados

Jerônimo Goergen (PP) – Santo Augusto, Vacaria, Três de Maio, Bento Gonçalves e Palmeira das Missões

João Derly (Rede) – Porto Alegre

Jones Martins (PMDB) – Gravataí

José Otávio Germano (PP) – Cachoeira do Sul e Porto Alegre

Não quiseram responder

Danrlei de Deus (PSD) – Porto Alegre

Mauro Pereira (PMDB) – Caxias do Sul

Renato Molling (PP) – Sapiranga

Yeda Crusius (PSDB) – Porto Alegre

Indecisos

Cajar Nardes (PODE) – Santo Ângelo

Carlos Gomes (PRB) – Porto Alegre

Giovani Cherini (PR) – Soledade

José Fogaça (PMDB) – Porto Alegre

Luis Carlos Heinze (PP) – São Borja