Policiais são enganados e Promoções podem não ser publicadas

Durante as negociações para a prorrogação das alíquotas do ICMS, o governo do estado deixou claro que as Promoções da Polícia Civil estavam condicionadas à aprovação do Projeto do governo, pela Assembleia Legislativa. Após uma exaustiva negociação, onde um dos argumentos para convencer as bancadas de oposição era exatamente o atendimento das reivindicações dos servidores públicos, o Projeto de Lei do governo foi aprovado, com algumas emendas.

No entanto, em sentido contrário ao manifestado pelo governo, a equipe econômica de Eduardo Leite estabeleceu um veto à publicação das Promoções. O argumento utilizado é de que as emendas ao Projeto diminuíram a expectativa de arrecadação, o que torna impeditivo a concessão das Promoções. É o mesmo argumento utilizado desde o início do governo e que vem causando um enorme sucateamento do serviço público estadual. É essa mesma política de restrição fiscal que tem levado a Polícia Civil ao menor efetivo da sua história, reduzindo dramaticamente a capacidade da instituição em responder as necessidades da população.

O que os tecnocratas encastelados na Secretaria de Fazenda não entendem, é que não são números que atendem a população do estado. O veto à publicação das Promoções vai atingir policiais que aguentaram mais de cinco anos de salários atrasados, péssimas condições de trabalho, além de um déficit histórico de pessoal e, mesmo assim, garantiram a segurança da população em um dos momentos mais dramáticos da história do nosso estado. Para isso, arriscaram suas vidas e das suas famílias, ao se exporem ao risco da Covid-19 e combaterem a violência.

Operações garantiram espaço na mídia ao governo do estado

Apesar de vetar a publicação das Promoções e não reconhecer o trabalho dos Policiais Civis, o governo utilizou fartamente as Operações Policiais para se promover na mídia do estado. Um exemplo, foi a Operação realizada em Alvorada, no auge da Pandemia, que mobilizou mais de 1000 policiais de todo o estado, para combater o crime organizado. Esses profissionais se deslocaram de várias regiões do estado, se expondo ao risco do contágio, para cumprir com seu dever com a sociedade gaúcha.

Nesse momento, onde o governo se nega a dar o devido reconhecimento a esse trabalho exemplar, os (as) Policiais Civis têm que repensar a participação nesse tipo de Operações. Não é mais possível que a categoria continue se expondo ao contágio, enquanto o governo não reconhece o nosso trabalho e utilize o trabalho desses profissionais apenas para sua própria promoção. É a hora de dizer claramente: Sem promoções, sem operações!

No dia 19 os (as) Policiais vão dar sua resposta ao descaso do Governo

Diante desse posicionamento do governo, que segue à risca a política de ajuste fiscal, desconsiderando o trabalho dos (as) Policiais, a UGEIRM está preparando uma grande mobilização, para o dia 19 de janeiro, quando será cobrado do governo o cumprimento da promessa realizada para aprovar sua proposta de prorrogação do ICMS: a publicação imediata das Promoções.

Além disso, é fundamental que ocorra uma pressão real sobre a base aliada do governo. Somente com muita pressão política, o governador Eduardo Leite, que é quem tem o poder real de assinar as Promoções, irá entender a importância da nossa categoria para a manutenção do funcionamento do estado durante a Pandemia. Leite sabe que depende da sua base na Assembleia Legislativa para aprovar os seus projetos. Uma mostra disso, foi a dificuldade que teve para aprovar a prorrogação das alíquotas. Por isso, é fundamental que essa discussão ultrapasse os corredores do Palácio Piratini e chegue até a população e a Assembleia Legislativa, exercendo uma pressão real sobre o Governo.