Presos ocupam cela da Delegacia de Camaquã a quase um mês

A DPPA de Camaquã possui uma cela de 2x3m, sem banheiro e sem nenhuma condição de abrigar presos por mais de 24 horas. Nesta cela, quatro presos estavam detidos até a semana passada. Dois deles foram transferidos, porém os outros dois continuam ocupando a carceragem desde o dia 8 de novembro.

Os agentes responsáveis trabalham em condições completamente inadequadas. Como não possui cozinha, os agentes têm que se deslocar até o presídio local, duas vezes por dia, para buscar a alimentação para os presos. As condições de higiene são as piores possíveis. Pela cela não possuir banheiro, as necessidades dos presos são feitas em um buraco no chão, o que torna o ambiente extremamente insalubre.

A DPPA de Camaquã é responsável por 11 cidades, que vão de Barra do Ribeiro até o Cristal. A permanência de presos na delegacia tem impedido os agentes de realizar suas funções policiais de forma satisfatória, ao ter que atuar em desvio de função, exercendo as atividades de carcereiros. Um exemplo disso, aconteceu na última semana, quando dois policiais tiveram que sair em diligência, com a delegacia ficando sob a responsabilidade de apenas um colega. Com isso, não foi possível a ida até a penitenciária para pegar a comida dos presos. Naquele momento, quatro presos ocupavam a cela de 2x3m. Os presos só não ficaram sem alimentação, porque um deles tinha recebido comida da sua família e foi possível dividir entre eles. Essa situação cria uma tensão, com uma grande possibilidade de rebelião, que pode colocar em risco a integridade física do policial responsável pela delegacia.

Crise das carceragens começa a se transferir para o interior

O problema de superlotação das carceragens das delegacias se tornou notícia nacional dois meses atrás. A UGEIRM já vinha denunciando essa situação desde 2015, essa mobilização e a repercussão alcançada, fez o governo Sartori/PMDB se mover e amenizar esse problema de forma parcial, com a inauguração do 2º módulo da Penitenciária de Canoas (PECAN). Porém, começamos a assistir um deslocamento do problema para o Interior. A situação de Camaquã é um sinal. O vice-presidente da UGEIRM, Fábio Castro, alerta para o problema: “esse é um grande risco para a segurança pública gaúcha. As cidades do interior não estão preparadas para receber presos e mantê-los nas delegacias. Uma rebelião em uma delegacia de uma cidade do interior, é um risco para os policiais e para toda a população da cidade. A UGEIRM já está se mobilizando para evitar que essa situação se estabeleça. Já estamos acionando nosso departamento jurídico e, na semana que vem, faremos uma visita aos colegas de Camaquã. Também vamos fazer um levantamento da situação em outras cidades, para averiguar possíveis situações de risco. Temos que nos manter alertas e impedir que isso se generalize”, conclui Fábio.