Presos tentam fuga em massa da DPPA de Canoas

Um grupo de treze presos tentou uma fuga em massa da carceragem da DPPA de Canoas, região metropolitana de Porto Alegre, na madrugada desta terça feira (27). Não é a primeira vez que os policiais da DPPA de Canoas enfrentam uma tentativa de fuga. Com as carceragens constantemente lotadas, o risco de uma fuga, rebelião ou, até mesmo, tentativa de resgate já faz parte do cotidiano dos policiais civis lotados nas DPPAs de Porto Alegre e região metropolitana.

Na tentativa desta terça-feira, os presos quebraram uma porta de ferro na sala de triagem, local onde estavam de forma improvisada, pois as celas já estavam superlotadas. Felizmente, foram detidos pelos policiais militares que estavam no local fazendo a custódia de presos que aguardavam vaga para ocupar algum canto da DPPA. Depois de conter os presos, os brigadianos tiveram que improvisar para conseguir fechar novamente a porta. Um pedaço de pau foi fixado com uma ponta na tranca e outra em uma parede.

DPPA de Canoas sofre com superlotação desde o ano passado

A situação da DPPA de Canoas já é do conhecimento público a algum tempo. Um policial já ficou ferido em uma rebelião onde atearam fogo em uma cela. Outra tentativa de fuga foi descoberta por policiais de plantão. Em outra ocasião, a secretaria de segurança anunciou que abriria uma sindicância contra policiais, por permitirem presos algemados no corrimão da delegacia. Portanto, quando acontecer uma tragédia e um policial ou um cidadão for morto nas dependências da DPPA, de nada adiantarão minutos de silêncio, homenagens ou notas de pesar. É preciso que o governo assuma a sua responsabilidade!

Os policiais civis gaúchos viveram uma situação extremamente dolorosa na semana que passou. Quando se perde um colega, um policial que está executando o seu trabalho de proteger a população, a dor não pode ser medida. Toda a corporação e a sociedade é atingida. Porém, quando essa perda é consequência direta da irresponsabilidade do governo, que deveria garantir as condições para o trabalho policial, essa dor se transforma em revolta. E é com essa revolta que o governo terá que lidar, quando um policial for vítima da irresponsabilidade reinante nas carceragens das delegacias atualmente. Não é possível que a sociedade aceite calada declarações como a do secretário de segurança, de que presos em delegacias sempre existirão.

O presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, contesta o secretário: “presos em delegacias não pode ser encarado como normal. Pois, ao admitirmos isso, estaremos aceitando que os policiais e a população têm que colocar a sua vida em risco quando entram em uma delegacia. Lugar de preso é em presídio. A delegacia é o local onde a população deve ser atendida com todo conforto e segurança pela polícia. É na delegacia que os policiais devem ter um local seguro para trabalhar e planejar as investigações que vão garantir a segurança da população. Não sei se o secretário já passou um dia em uma delegacia. Mas seria bom se ele tirasse um dia da sua agenda para acompanhar um dia de trabalho em uma DPPA como a de Canoas. Talvez aí, ele se sensibilizasse para a situação absurda que os policiais dessas delegacias vivem”.