Retirada de servidores estaduais da reforma da previdência é manobra de Temer/PMDB

sartori_temer_tramandoO governo federal anunciou, na tarde de ontem, que vai retirar os servidores estaduais e municipais da reforma da previdência, jogando a responsabilidade das alterações para os governos locais. A avaliação do governo é que, com isso, enfrentará menos resistências para acabar com a aposentadoria dos trabalhadores brasileiros. As categorias de servidores estaduais, como professores e policiais civis, estão entre as mais organizadas e mobilizadas contra a reforma da previdência. Com a retirada, o governo espera diminuir a mobilização e dividir os trabalhadores.

O que, em um primeiro momento, parece ser vantajoso para os servidores, se tornará uma verdadeira bomba mais para a frente. Se hoje, os servidores estão conseguindo pressionar o governo e evitar os ataques à aposentadoria dos trabalhadores. Divididos e isolados podem se tornar presas fáceis para uma reforma fatiada nos estados. Com as eleições em 2018, no ano seguinte teremos, com certeza, uma ofensiva dos governos eleitos contra a aposentadoria dos servidores públicos estaduais. Esses ataques acontecerão de forma isolada. Primeiro se ataca a aposentadoria dos professores, em seguida a aposentadoria dos policiais civis e assim sucessivamente. Inviabilizando reações do conjunto dos servidores públicos.

Além disso, com a retirada dos servidores estaduais e municipais da reforma, o governo Temer/PMDB vai centrar todas as suas baterias para acabar com a aposentadoria dos trabalhadores da iniciativa privada. Isso criará um caldo de cultura, onde esses trabalhadores ficarão cada vez mais contra os ditos privilégios dos servidores públicos. Fragilizando ainda mais a resistência dos servidores frente aos ataques que virão nos estados e municípios.

Outro ponto importante, é que a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) terão as suas aposentadorias atingidas pela reforma da previdência. Isso vai significar um sinal verde e um argumento concreto para os governadores atacarem a aposentadoria dos policiais civis. Ou alguém acredita que, com o fim da atividade de risco para a PF e a PRF, esse  direito será mantido para a Polícia Civil?

Para o presidente da UGEIRM, Issac Ortiz, “agora é a hora de nos mantermos unidos. A reforma da previdência é um ataque a todos os trabalhadores. A aprovação dela vai significar uma porteira aberta para acabar com os direitos dos trabalhadores de uma forma geral. O governo fez isso, porque sabe que está fragilizado pelos escândalos quase diários. Depois de aprovar a reforma para os trabalhadores da iniciativa privada e dos servidores federais, os governadores se sentirão livres para acabar com a nossa aposentadoria. Ela também abrirá caminho para a reforma trabalhista e o fim da CLT. Essa atitude do governo Temer/PMDB não muda em nada a nossa luta. Temos que derrubar a reforma da previdência como um todo, porque ela significa o fim da aposentadoria e a porteira aberta para acabar com todos os direitos dos trabalhadores”.