Servidores públicos e banqueiros: quem são os verdadeiros parasitas?

Na última sexta-feira (07), o Ministro da Economia, Paulo Guedes, comparou os servidores públicos brasileiros a parasitas. Guedes construiu sua carreira no sistema financeiro, tendo sido um dos fundadores do Banco Pactual. Antes disso, Paulo Guedes trabalhou no Chile, durante o governo do ditador Augusto Pinochet, quando foi arregimentado por um dos principais nomes da equipe que implantou o projeto econômico responsável pela quebra do país no ano passado.

Esse mesmo senhor, teve a coragem de chamar os servidores públicos brasileiros, ou seja, professores, policiais e médicos que atendem a população brasileira, na maioria das vezes em condições precárias e com baixos salários, de parasitas. No caso dos Policiais, muitas vezes arriscando a própria vida para garantir a segurança da população. Mas seria exigir muito que alguém que construiu sua vida profissional especulando com o dinheiro alheio nas salas refrigeradas dos banqueiros, como Paulo Guedes, conhecesse a realidade do combate à criminalidade nas ruas.

Parasita é aquele organismo que vive em associação com outros, tirando destes o seu sustento, muitas vezes prejudicando o seu hospedeiro. Ou seja, na visão do Ministro da Economia do governo Bolsonaro, os servidores públicos brasileiros seriam algo como sanguessugas que retiram o seu sustento e prejudicam o Estado brasileiro.

O mais surpreendente é essa afirmação vir de um banqueiro, como Paulo Guedes. De acordo com o Projeto de Lei Orçamentária do governo Bolsonaro, enviado ao Congresso em outubro do ano passado, o serviço da dívida brasileira alcançará o total de R$ 1,654 trilhão em 2020. Ou seja, mais de um terço do PIB total do Brasil será direcionado para os banqueiros. O mesmo setor que teve, em 2019, o maior lucro da história, com um crescimento de mais de 15% em relação ao ano anterior. E o grande serviço prestado pelos amigos do sr. Paulo Guedes, é especular com o dinheiro alheio, cobrando, para isso, taxas de juros estratosféricas. E para o Ministro, os parasitas são os servidores públicos brasileiros.

Infelizmente, essa é a visão predominante no governo federal. Como disse o próprio Presidente Bolsonaro, Guedes é o Posto Ipiranga do governo e tem sua total confiança. Isso ficou demonstrado na Reforma da Previdência, quando o Ministro conduziu todo o processo, inclusive negando a promessa que Bolsonaro fez, pessoalmente, aos policiais civis em relação à manutenção da aposentadoria policial. No final, entre a palavra de Bolsonaro e a posição de Paulo Guedes, prevaleceu a palavra do representante dos banqueiros e os policiais ficaram sem a aposentadoria policial.