Superlotação na DPPA de Canoas coloca Agentes em risco

No ano passado presos já haviam incendiado uma cela da DPPA de Canoas
No ano passado presos já haviam incendiado uma cela da DPPA de Canoas

Os agentes que trabalham na DPPA de Canoas estão correndo sério risco à sua integridade física. Na manhã desta quarta-feira (25), 25 presos superlotavam a delegacia. 20 deles ocupavam a carceragem da DPPA, enquanto outros cinco aguardavam na área externa, sob custódia da Brigada Militar. Os agentes que trabalham no local estão submetidos a uma situação de grande tensão, tendo que lidar com dois presos feridos. Um deles foi ferido a bala em novembro, tendo desenvolvido escaras por não poder se locomover. Outro dos presos sofreu uma cirurgia no joelho e necessita de drenagem do local. Os agentes não têm condições de prestar atendimento médico.

A situação na delegacia é de um verdadeiro caos. Os presos, alguns deles detidos desde 17 de janeiro, não possuem local para tomar banho. Para manter o ambiente em níveis suportáveis, os agentes têm providenciado banhos de mangueira para os detidos. A comida é fornecida pelos parentes dos presos, pois a delegacia não tem condições para suprir a alimentação. Na terça-feira, alguns presos fizeram uma greve de fome. O risco de uma rebelião é muito grande, o que coloca os agentes em permanente estado de alerta e muito preocupados com os cidadãos que procuram a delegacia para registrar ocorrências. Os agentes perguntam quem será responsabilizado, caso algum preso tenha alguma complicação médica dentro das dependências da delegacia.

Esta situação está ocorrendo porque a Justiça determinou que o Presídio Central não pode receber novos detidos. A alegação é que não existe condições para ingresso de novos presos. Para o vice-presidente da UGEIRM, Fábio Castro, “essa alegação é completamente absurda. Será que as condições das carceragens das delegacias é melhor do que a do Presidio Central? Será que o risco de uma rebelião, ou de um resgate de presos, em um presídio é maior do que em uma delegacia, que não foi projetada para abrigar presos? A justiça está lavando as mãos, o Executivo não se responsabiliza e quem tem que resolver o problema são os policiais civis”. O suposto Secretário de Segurança, Cezar Schirmer, assumiu dizendo que a situação dos presos em carceragens era uma prioridade, no entanto nada foi feito, a não ser estacionar um ônibus na frente da Academia de Polícia e empilhar presos dentro dele. Vivemos uma situação de absoluta falta de governo no nosso estado.

Em outubro do ano passado, Schirmer declarava para imprensa que a situação das carceragens nas delegacias era insustentável e que o sistema prisional havia chegado ao fundo do poço. No entanto, três meses depois a situação piorou e se descobriu que o poço tinha um subsolo. Mesmo assim, o suposto secretário não aparece nem mesmo para dar uma satisfação à população e aos agentes. Postura bem diferente da época da votação do Pacote do Sartori/PMDB, quando não se furtava a ir para a frente das câmeras justificar a repressão aos servidores públicos.

A diretoria da UGEIRM está se deslocando para Canoas, afim de se inteirar melhor da situação e prestar assistência aos agentes. Além disso, estão sendo estudadas medidas judiciais para também interditar as carceragens das delegacias por falta de condições de funcionamento. O presidente da UGIRM, Isaac Ortiz, lembra que “o judiciário, inclusive o STF, tem lavado as mãos sobre os presos nas carceragens das delegacias. No entanto, precisamos continuar pressionando a justiça e fazendo tudo que estiver ao nosso alcance para resolver essa situação perigosíssima. É a vida dos agentes que está em risco e, enquanto isso, o governador Sartori/PMDB e seu suposto secretário de segurança ficam calados e não tomam nenhuma providência”.