UGEIRM avisou: permanência de presos provoca destruição na 3ª DPPA
A UGEIRM avisou e, mais uma vez, a realidade confirmou da pior forma possível aquilo que o sindicato vem denunciando há anos: manter presos dentro de delegacias é uma bomba-relógio prestes a explodir.
Na 3ª DPPA de Porto Alegre, uma presa que aguardava transferência para o NUGESP (Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional) destruiu parte da estrutura interna da Unidade Policial após um surto de agressividade. A unidade havia sido reinaugurada há cerca de 90 dias, depois de quase dois anos funcionando de forma precária em uma pequena sala improvisada no Palácio da Polícia, em razão da destruição do antigo prédio pelas enchentes de 2024. Centenas de milhares de reais foram gastos na reforma do novo espaço.
Porta arrancada e ameaças aos policiais
Após a conclusão do Auto de Prisão em Flagrante (APF), a presa foi conduzida até uma sala da DPPA e algemada a uma barra de contenção, onde aguardaria transporte até o NUGESP. A medida foi necessária porque não havia cela feminina disponível na unidade, já que as celas existentes estavam ocupadas por presos masculinos.
Durante a espera, a detida começou a gritar, bater violentamente na porta e ameaçar os policiais civis de plantão. Em meio aos ataques verbais, chamou os servidores de “vagabundos”, “corruptos” e proferiu diversos outros insultos. Após algum tempo, conseguiu arrancar a porta e o marco que a sustentava, causando danos ao patrimônio recém-reformado da Unidade Policial. Os policiais precisaram agir para conter a presa, tomando todos os cuidados necessários para evitar lesões na detida e preservar a integridade física de todos os envolvidos.
“Os danos foram materiais. Da próxima vez pode ser pior”
Para a direção da UGEIRM, o episódio é mais uma demonstração concreta do colapso provocado pela permanência irregular de presos em unidades policiais. O diretor da UGEIRM, Jones Talai, lembra que “o sindicato já havia, inclusive, oficiado a direção da DPPA, em abril desse ano, alertando sobre o risco de que um episódio como esse acontecesse, devido à permanência de presos na unidade policial. Infelizmente, nenhuma providência foi tomada e as preocupações do sindicato se tornaram realidade”.
O Vice-presidente da entidade, Fabio Castro, lembra que “o sindicato já havia alertado inúmeras vezes que situações como essa inevitavelmente ocorreriam. A manutenção de presos em delegacias transforma espaços destinados à investigação e ao atendimento da população em improvisadas unidades prisionais, expondo policiais civis, servidores administrativos e cidadãos a riscos permanentes”.
Neste caso, os danos foram “apenas” materiais. Fabio alerta que “se o Governo do Estado continuar ignorando o problema e não adotar providências imediatas para impedir a permanência de presos nas Unidades Policiais, episódios ainda mais graves poderão ocorrer”.
Histórico de violência e tentativas de fuga
Além do risco físico, a permanência de presos nas DPPAs e demais unidades policiais também compromete diretamente o trabalho investigativo, o atendimento à população e a saúde mental dos servidores, já submetidos à sobrecarga, ao déficit de efetivo e às péssimas condições estruturais enfrentadas diariamente.
Enquanto o governo insiste em discursos de modernidade e eficiência, a realidade dentro das Unidades Policiais segue marcada pelo improviso, pela insegurança e pelo abandono.
