‘Últimos dias em Havana’ leva a Cuba de hoje ao cinema

Diego (Jorge Martínez) vive na cama de um cortiço em Havana, fortemente afetado pelas complicações da Aids. Ele é cuidado pelo amigo, Miguel (Patrício Wood), que trabalha em uma lanchonete e sonha em ir embora para os Estados Unidos. O primeiro, dotado de humor e irreverência, deseja ficar, permanecer vivendo. O segundo, um homem fechado, que não sorri e fala pouco, quer ir embora e, ainda que não tenha imigrado para os Estados Unidos, sua cabeça já está lá.

Apesar do enredo, em Últimos dias em Havana, o novo longa do diretor cubano Fernando Pérez (Suíte Havana e Madagascar), não há vítimas. O filme trata de amizade, humanidade e mostra a vida na Havana de hoje. Premiado pela melhor direção e melhor fotografia no Cine Ceará deste ano, e melhor trilha sonora e prêmio especial do jurado no Festival de Havana do ano passado, o longa estreia nesta quinta-feira, 24 de agosto, em salas dos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Fortaleza e Salvador. Sua estreia mundial ocorreu no Festival de Berlim, em fevereiro deste ano.

Após a exibição do longa no festival cearense, há duas semanas, Martínez e Wood contaram que a história de Últimos dias em Havana começou quando um rapaz, que trabalhava em um banco em Havana, bateu na porta do cineasta Fernando Pérez com cinco roteiros nas mãos. Um deles era a história que deu origem ao longa. “É um filme atual, sobre a vida de hoje em dia em Havana”, contou Martínez. Na história, seu personagem, um homossexual aidético, leva o humor na medida para o filme, cujo roteiro original era um pouco mais “pesado”, mas foi adaptado pelo diretor para ficar mais “leve”.

Últimos dias em Havana tem um equilíbrio entre o trágico e o cômico. Apresenta um contexto histórico muito bem marcado sobre a vida em Cuba na atualidade. Os dois atores estão visivelmente entrosados, algo que ficou evidente até mesmo durante a entrevista coletiva que ambos deram em Fortaleza.

O nome que o filme leva casa perfeitamente com a história. Apesar disso, o diretor queria nomear o longa de Chupa Piruli. “Ainda bem que o produtor perguntou ao Fernando [Pérez] se ele tinha certeza que todo mundo entenderia o nome”, brincou Patrício Wood, durante a entrevista coletiva no Ceará. Para entender o por quê do quase-nome de Últimos dias em Havana, será preciso assistir ao filme até o final.

Fonte: El Pais