2ª Delegacia de Polícia de Alvorada tem surto, com 7 policiais infectados pelo Coronavírus

Os (as) Policiais Civis da 2ª Delegacia de Polícia de Alvorada estão enfrentando um surto do novo Coronavírus. Na sexta-feira (12), o que era temido aconteceu: após a testagem dos agentes da Delegacia, sete casos positivos foram confirmados.

Os casos registrados em Alvorada são um exemplo das deficiências dos protocolos de segurança adotados até agora pelo governo do estado. Ao identificar um caso positivo para o Coronavírus na segunda-feira (8), a Delegacia continuou funcionando normalmente. Apenas os dois policiais que atuavam diretamente com o Agente infectado foram afastados, com os demais continuando a trabalhar normalmente. Outra falha constatada foi a realização, inicialmente, de testes rápidos, que apresentaram resultados negativos. Desconfiando dos resultados, os próprios agentes procuraram locais para a realização de testes RT-PCR, que deram positivo para outros seis agentes. Essa falha no protocolo colocou em risco todas as pessoas que precisaram dos serviços da Polícia Civil, além dos demais policiais da Delegacia.

Somente a adoção de protocolos mais rígidos pode evitar o colapso da Polícia Civil

O caso de Alvorada é uma prova de que os atuais protocolos de segurança para a Pandemia não estão funcionando. A experiência de outros países e estados do país, mostra que apenas um foco pode ser responsável pelo desencadeamento de uma situação de descontrole de contágio da COVID-19. O que aconteceu em Alvorada é extremamente grave. Os Policiais Civis continuaram trabalhando durante quatro dias, colocando em risco todas as pessoas que procuraram a delegacia para atendimento.

Infelizmente, Alvorada não é um caso isolado. Na semana passada, uma Policial Civil de Novo Hamburgo já havia sido diagnosticada com Covid-19. A Acadepol é outro setor que enfrenta um surto de Coronavírus, com 15 alunos tendo sido diagnosticados com a doença. Esses casos demonstram que o governo do estado precisa tomar medidas imediatamente, para evitar que a Polícia Civil entre em colapso.

Esse risco está sendo amplificado pelo fracasso, até o momento, da política de distanciamento controlado adotada pelo governo Leite. Uma política que, ao não traçar diretrizes claras de distanciamento, fica sujeita às pressões políticas dos prefeitos e empresários, prejudicando o combate à pandemia e resultando num aumento preocupante do número de casos e internações no estado. Uma política sanitária eficiente tem que ser a mais simples possível, possibilitando o seu entendimento pelo conjunto da população, o que não tem ocorrido no nosso estado.

Testagem é fundamental para garantir a segurança dos policiais

Um dos pontos centrais para o estabelecimento de um protocolo seguro para o combate à COVID-19, é uma testagem ampla dos (as) Policiais Civis. O que tem acontecido até agora, demonstra que a utilização dos testes rápidos é um grave equívoco. Esses testes são inconclusivos e não servem para determinar o afastamento ou não dos profissionais. A polícia precisa adotar urgentemente a testagem massiva da categoria, com a utilização do RT-PCR, que é uma tecnologia de testagem muito mais segura e precisa.

UGEIRM já apresentou sugestões à Chefia de Polícia

Na última sexta-feira (12), a direção da UGEIRM encaminhou um Ofício à Chefia de Polícia sugerindo a adoção de um Protocolo a ser seguido, para casos como os de Alvorada e Novo Hamburgo. Junto ao Ofício, também foi encaminhado um Parecer elaborado pelo Jurídico do sindicato, que analisa os atuais procedimentos adotados pela Instituição. No Parecer, é ressaltado que a Polícia Civil é a única Instituição da Segurança Pública que não tem um protocolo prevendo o afastamento dos (as) profissionais que tenham contato com pessoas infectadas com o novo Coronavírus. O resultado dessa falha, pode ser observado em Alvorada.

Nesta terça-feira (16), a direção do sindicato participou de uma reunião com a Chefe de Polícia, delegada Nadine Anflor. No encontro, foi reafirmada, pela UGEIRM, a necessidade da adoção de protocolos rígidos para a prevenção do contágio no interior da categoria. A Chefia de Polícia informou que o procedimento da Instituição está em consonância com a política estabelecida pelo governo do estado para o combate ao Coronavírus. Na reunião, a Chefia também ressaltou que está mantido o afastamento dos (as) Policiais Civis que possuam comorbidade, para tal basta apresentar atestado médico.

Para o Presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, “o governo do estado precisa olhar para os profissionais da segurança pública com mais atenção. Esses profissionais estão na linha de frente do combate ao Coronavírus, expondo sua saúde para atender a população. No momento, nós, os Policiais Civis, estamos nos sentindo expostos e sem o suporte necessário por parte do governo. O sentimento que identificamos na categoria, é de abandono por parte do Estado”.