De Beto Richa: Ao mestre sem carinho! UGEIRM condena veementemente violência no Paraná

Foto: Rodrigo Pinto / Jornalistas Livres
Foto: Rodrigo Pinto / Jornalistas Livres

No Dia Mundial da Educação, 29 de abril, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB/PR), presenteou os educadores do estado com um verdadeiro massacre.

A UGEIRM Sindicato, dos agentes da Polícia Civil do RS, condena veementemente a ação violenta do governo do Paraná. Os professores e professoras, servidores do estado, exerciam o seu legítimo direito à manifestação contra um projeto de lei que altera as regras de custeio da Paraná Previdência, um duro ataque aos direitos consolidados dos trabalhadores.

A ação da PM foi condenada por diversos organismos como a OAB e a CNBB. Vários intelectuais que se dedicam ao estudo da Segurança Pública também rechaçaram o comportamento da Polícia, entre eles o ex-secretário nacional da Segurança Pública e coronel da reserva da PM paulista José Vicente da Silva Filho: “Nunca vi uma coisa dessas. Mais de 200 feridos é sinal de alguma coisa muito errada. Aquela área é fácil de conter, fazendo dois ou três cordões de isolamento. Não vejo nenhuma explicação para a tropa correr atrás de manifestantes (…) Cães, a PM de SP não usa faz muito tempo, é um equívoco usá-los em ações de contenção”, declarou.

Após o governo transformar o Centro Cívico de Curitiba em praça de guerra, onde só um lado estava armado, a Assembleia Legislativa aprovou em primeiro turno, por 31 votos a 20, confisco da poupança previdenciária dos servidores. A proposta, apresentada pelo governo estadual, sugere que 33.556 beneficiários com 73 anos ou mais sejam transferidos do Fundo Financeiro, que é arcado pelo Tesouro estadual, para o Fundo Previdenciário, constituído a partir de contribuições dos servidores e do poder público.

RS pode virar um novo Paraná?

O governo do PR afirma que o Fundo Previdenciário está capitalizado em mais de R$ 8,5 bilhões em investimentos. O Executivo argumenta ainda que esta migração proporcionará uma economia de R$ 125 milhões, por mês, com o pagamento de benefícios. O Fórum das Entidades Sindicais do Paraná (FES) é contrário à proposta e apresentou uma série de considerações e sugestões. “O governador quer confiscar R$ 125 milhões mensais do fundo de Previdência dos servidores públicos, que poderão ficar sem aposentadorias e pensões num futuro próximo”, argumentam. No Rio Grande do Sul, os rumores na imprensa, dão conta que podem ocorrer tentativas semelhantes de retirada de direitos dos servidores. Se isso ocorrer, certamente haverá resistência. A questão que fica é: vamos virar um novo Paraná?

De acordo com dados da Prefeitura de Curitiba, que foi transformada em hospital de primeiros socorros, mais de 200 professores ficaram gravemente feridos. Ambulâncias tiveram dificuldade de se aproximar para socorrer os feridos, uma vez que a Tropa de Choque da Polícia Militar fez um cordão para isolar o prédio da Assembleia e lançou bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral e jatos de água. Segundo testemunhas, helicópteros disparavam a esmo bombas contra o povo. Havia entre os feridos idosos, crianças e deficientes. Uma senhora que se apoiava nas grades do prédio da Assembleia foi alvejada à queima-roupa por um disparo de bala de borracha no meio das costas enquanto a polícia avançava contra os manifestantes.

A UGEIRM repudia a selvageria empregada pela PM daquele estado durante a repressão aos manifestantes. Toda a solidariedade aos professores do Paraná e aos 17 policiais militares presos por se negar a reprimir os docentes. Aliás, o governador Beto Rocha, verdadeiro responsável pelo massacre, é o mesmo que declarou que “policial militar não precisa ter estudo porque daí não obedece ordens”. Se faz urgente estabelecer um debate acerca de um novo modelo de Segurança Pública para o Brasil, que traga entre seus eixos a necessária desmilitarização das policias.