Em clima de fim de governo, delegacias tem nova onda de superlotação

As delegacias da região metropolitana sofrem com uma nova onda de superlotação das suas carceragens. Com o fim melancólico do governo Sartori/MDB se aproximando, os policiais civis têm que lidar com o risco que representa a permanência de presos nas delegacias. O problema, que virou uma marca registrada do governo que termina, parece não ter fim. Nesta quarta-feira (21), eram 91 presos que permaneciam, ilegalmente, nas dependências das DPPAS da região metropolitana.

Somente em São Leopoldo, eram 24 detentos que se amontoavam na carceragem da delegacia. O prédio, que não possui a mínima condição de funcionamento, se torna uma verdadeira bomba relógio, com a permanência de mais de 20 presos nas suas dependências. A realidade é que, mesmo sem a presença de presos, a Delegacia de Pronto Atendimento de São Leopoldo já deveria estar fechada. Suas instalações são uma verdadeira calamidade, a rede elétrica pode entrar em curto a qualquer momento, em dias de chuva, os alagamentos são frequentes e a total falta de condições sanitárias expõe os policiais ao risco iminente de contraírem doenças infectocontagiosas. A UGEIRM já encaminhou uma denúncia ao ministério Público, pedindo a interdição do prédio. Até o momento, nenhuma providência foi tomada.

Nesta quarta-feira, a direção do sindicato conferiu pessoalmente a situação. Vários presos permaneciam há dias nas dependências da delegacia, um deles está no semiaberto e está detido há 15 dias na DPPA. Uma simples triagem prévia, poderia prevenir essa situação.  Enquanto isso, os policiais são obrigados a atender a população, ao mesmo tempo em que tentam vagas no sistema prisional e mantêm os presos sob controle.

Em Novo Hamburgo os presos estavam acorrentados do lado de fora da DPPA, o que representa um grande risco de fuga, colocando a segurança da população que circula próxima à delegacia em risco.

A situação das carceragens é um dos principais desafios do novo governo. Durante a campanha, a governador eleito, Eduardo Leite, afirmou que essa situação é insustentável e que uma das suas primeiras medidas, será buscar uma solução definitiva para a permanência dos presos nas delegacias. A direção da UGEIRM já se colocou à disposição para cooperar na busca de medidas que resolvam problema, garantindo a segurança e a integridade física dos policiais, além de acabar com o desvio de função a que os agentes são submetidos, ao executarem as funções de carcereiros nas delegacias.