Em live com Leite, Marchezan anuncia que Porto Alegre deverá voltar a nível de restrições de março

Da Redação

O governador Eduardo Leite (PSDB) realizou no final da tarde desta segunda-feira (22) uma transmissão ao vivo pelas redes sociais para anunciar atualizações no modelo de distanciamento controlado para o enfrentamento da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. A mudança mais significativa foi a de que a região do município de Palmeira das Missões, que estava em bandeira vermelha (segundo nível mais restritivo) na atualização do último sábado (20), poderá retornar à bandeira laranja. Contudo, o principal anúncio da transmissão foi feito pelo prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), que antecipou em sua participação que a Capital deverá voltar ao mesmo nível de restrições às atividades econômicas que vigoravam no mês de março.

Leite destacou que esta foi a primeira semana em que o governo abriu espaço para que as municípios e consórcios regionais pedissem a reconsideração das bandeiras divulgadas no sábado, o que resultou na reconsideração da situação em Palmeira das Missões. O governador avaliou que, apesar de apresentar um crescimento de internações elevado, a disponibilidade de leitos na região ainda permite que ela permaneça com um nível menor de restrições.

Ele destacou também que, a partir desta semana, o estabelecimento dessa instância recursiva faz com que a atualização preliminar das bandeiras passe a ser feita nas sextas-feiras, para que municípios tenham prazo de 48 para apresentarem ponderações e o governo, nas segundas-feiras, bata o martelo em relação ao mapa que valerá de terça à segunda seguinte.

Além disso, anunciou que os protocolos para bandeira vermelha serão alterados. Uma primeira mudança é a de que municípios das regiões que estiverem nesse nível, mas que estejam há 14 dias sem novos óbitos ou hospitalizações, poderão adotar as restrições da bandeira laranja. Para esta semana, as regiões de Porto Alegre, Canoas, Novo Hamburgo e Capão da Canoa estarão em bandeira vermelha, mas 37 municípios delas poderão permanecer em bandeira laranja. São eles: Arambaré, Arroio do Sal, Arroio dos Ratos, Balneário Pinhal, Barão, Barão do Triunfo, Butiá, Capela Santana, Capivari do Sul, Cerro Grande do Sul, Chuvisca, Dom Feliciano, Dom Pedro de Alcântara, Harmonia, Itati, Mampituba, Maratá, Morrinhos do Sul, Morro Reuter, Mostardas, Nova Hartz, Palmares do Sul, Pareci Novo, Presidente Lucena, Salvador do Sul, São Jerônimo, São José do Hortêncio, São José do Sul, São Pedro da Serra, Sentinela do Sul, Sertão Santana, Tabaí, Tapes, Tavares, Três Forquilhas, Tupandi e Xangri-lá.

Leite também destacou que alguns municípios poderão adotar protocolos alternativos aos do governo do Estado para alguns setores, desde que implementadas restrições equivalentes. É o caso dos serviços públicos, do transporte coletivo, de bancos e lotéricas e de missas e cultos. Para o transporte coletivo, a regra estadual é que, no caso de bandeira vermelha, os ônibus devem circular com até 50% de capacidade, mas municípios poderão ter restrições diferentes.

Por outro lado, outras atividades, como os restaurantes, devem seguir as orientações estaduais. Para o setor, a bandeira vermelha permite apenas os serviços de tele-entrega, drive-thru e pague e leve, sem a possibilidade de abertura dos salões. A restrição vale, inclusive, para Porto Alegre, que até então permitia a abertura limitada dos espaços para refeições no local.

Mais restrições na Capital

Ao iniciar sua participação na live, o prefeito Marchezan saudou a possibilidade de que municípios tenham metodologias diferentes a partir de suas peculiaridades. Contudo, o principal anúncio do prefeito foi a indicação de que, nesta semana, ele deverá anunciar restrições mais duras que as vigentes e que deverão estar em nível semelhante àquelas implementadas em março. Ele disse que, nas duas últimas semanas, tentou-se evitar apertar as restrições das atividades econômicas, mas que é muito difícil frear a pandemia sem novas medidas.

O prefeito destacou que aquele nível de restrição ajudou a Capital a, em abril, apresentar estabilidade no número de pacientes internados em UTIs simultaneamente. Contudo, a taxa de internações em UTIs voltou a crescer desde março, acelerando em junho. Na última quinta-feira (19), a Capital tinha 75 pacientes em UTIs que testaram positivo para covid-19. Nesta segunda, já eram 100.

Leite destacou que o forte crescimento nas internações em UTIs ocorreu em toda a Região Metropolitana, saindo de 70, no dia 7 de junho, para 143, no dia 21. “Se você segue nesse ritmo isso significaria, possivelmente, em 14 dias, sair dos 140 para 280. Você poderia ter um aumento tão forte que não teria aumento de estrutura que suporte”, disse.

Prefeito e governador destacaram que houve aumento da oferta de leitos recentemente e que novos leitos estão sendo preparados para entrar em operação, mas que não é possível enfrentar a covid-19 apenas do ponto de vista estrutural, sendo necessário frear o avanço da contaminação. Segundo Marchezan, nenhuma cidade controla a qualidade de vida e o atendimento em meio à pandemia apenas na linha da oferta do serviço público e todas que tentaram medidas alternativas ao distanciamento social acabaram fracassando e tendo que voltar atrás.

Leite destacou ainda que, em 25 de maio, a Grande Porto Alegre tinha 5,12 leitos livres para cada leito ocupado por um paciente com covid-19. Já no dia 21 de junho, a região tinha apenas 1,76 leito livre para cada leito ocupado por covid-19. “É isso que acende esse alerta”, disse.