Força-tarefa e 60 horas de investigação da PC/RS põem fim em sequestro de assistente social de Caxias

Após ser mantida por dois dias em cativeiro, a assistente social Melina Bühler Giachelim foi resgatada pela Polícia Civil no Litoral

Foram quase 60 horas de trabalho policial até que a assistente social Melina Bühler Giachelim, 36 anos, conseguisse voltar para a família. No início desta semana, ela foi sequestrada por criminosos quando chegava ao trabalho, no Centro de Referência de Assistência Social (Cras), da zona norte de Caxias do Sul, e mantida em um cativeiro no Balneário de Arroio Teixeira, em Capão da Canoa, até o resgate pela Polícia Civil. Seis suspeitos foram presos nesta quinta-feira (23).

O crime foi informado às 8h30min de terça-feira (20), quando colegas de trabalho da vítima encontraram seu carro e estranharam a sua ausência. A partir daquele momento, mais de 35 policias foram envolvidos na busca por Melina.

— Foi uma força-tarefa, um trabalho em várias frentes que costuma ser desenvolvido pela Polícia Civil neste tipo de crime. Tivemos policias aqui na região para dar todo o suporte a família da vítima, no sentido deles terem, efetivamente, condições de negociar com estes criminosos que exigiam R$ 600 mil (do marido, um empresário em Flores da Cunha). De forma simultânea, tínhamos policiais trabalhando na análise de informações coletadas, inclusive com a quebra de sigilos pelo Ministério Público e a Justiça, que foi célere e fundamental para identificarmos os autores deste crime — destacou o delegado João Paulo Abreu, da Delegacia de Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DRD/Deic).

A investigação também contou com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), com monitoramento em rodovias e informações de inteligência. Além de duas prisões feitas no cativeiro, a investigação policial também levou à captura de dois suspeitos  no Litoral Norte, um homem e uma mulher que estavam em um Renegade branco. O motorista, que apresentou documento falso, era foragido da Justiça. Os dois foram presos em flagrante.

Em coletiva de imprensa, a polícia detalhou a investigação:

MOTIVAÇÃO

— Conforme foi apurado no curso das investigações, pouco mais de 48h do fato cometido, os autores (do sequestro) alegaram ter dívidas com a família. Como eles queriam reaver esse dinheiro, definiram esse valor de R$ 600 mil (para o resgate).

INVESTIGAÇÃO

— Uma vez identificado quem estava exigindo dinheiro, fazendo a extorsão e enviando os vídeos da vítima, que foram os dois presos na região de São Sebastião do Caí, localizamos o cativeiro. Então, deslocamos as equipes até Arroio Teixeira (em Capão da Canoa) e fizemos o estouro do cativeiro. No local estava um dos indivíduos com uma arma de fogo. O segundo tinha saído para comprar mantimentos naquela hora, mas foi identificado e preso também. Com os moradores da região, conseguimos ainda identificar os demais indivíduos que estavam dando apoio logístico.

CATIVEIRO

— O abalo da vítima se deve por vários fatores. Pegaram ela de surpresa e a colocaram no porta-malas de um carro até a praia. Encontramos ela dentro de uma pequena peça, ela ficava trancada sem contato. As necessidades ela fazia em um pequeno balde.

MOMENTO DO SEQUESTRO

— O pessoal que trabalha na mesma instituição que ela nos informou (na terça-feira) que o carro dela tinha sido localizado com a chave na ignição e de porta aberta. Eles estranharam pois ela era sempre a primeira a chegar na instituição e, dessa vez, as portas estavam fechadas. A partir dali iniciaram as investigações como uma espécie de desaparecimento. Mas no curso das análises, descobrimos que três veículos estavam envolvidos naquela ação. Era um Siena branco, um Móbi vermelho e um Astra branco, este que entra no estacionamento da instituição e é usado para fazer o arrebatamento da vítima. Eles a pegam, vão para uma estrada nas proximidades do local e fazem a troca de veículo. O Astra é abandonado.

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