Frente Parlamentar atuará em defesa da aposentadoria e contra reforma da Previdência

Da Redação (*)

Na última quinta-feira (11), a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (AL-RS) instituiu a criação da Frente Parlamentar de Apoio à Previdência Pública, sugerida pelo deputado Pepe Vargas (PT), e que irá percorrer, juntamente com entidades sindicais e sociais, municípios do interior do Estado e Porto Alegre para debater a Reforma da Previdência, proposta pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), e defender o sistema de previdência pública brasileiro e os direitos dos trabalhadores.

Além de Vargas, presidente da Frente, também estiveram presentes no lançamento da Frente os deputados Zé Nunes (PT) e Sofia Cavedon (PT),  a presidente do Cpers-Sindicato, Helenir Aguiar Schüerer, o presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Guiomar Vidor, o secretário de Comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Ademir Wiederkehr.

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De acordo com Pepe Vargas, “defender a previdência pública significa garantir que pessoas possam viver com dignidade todas as etapas da vida”. Para o parlamentar,  a Proposta de Emenda Constitucional que modifica as regras previdenciárias vigentes atualmente no país para um regime de capitalização individual, inspirada no modelo chinelo, é “desastre social”, que não foi bem sucedido em nenhum dos 30 países que implantaram esse formato previdenciário. “Dos 30 que adotaram a capitalização, 18 já recuaram. No Chile, o modelo é um desastre. Lá, 50% das mulheres recebem uma aposentadoria de U$S 42,00 e os homens de US$ 80,00”, afirmou o deputado.

Para a presidente do CPERS-Sindicato, a PEC do Governo Bolsonaro é um modelo que irá enriquecer os banqueiros e fazer com que os trabalhadores recebam, ao se aposentar, somente 60% da média de todos os anos de contribuição em um período “em que no momento em que mais precisam de cuidados com a saúde”. Assim como Vargas, Helenir também apontou os problemas que esse modelo previdenciário gerou em outros países: “No Chile, que implantou o mesmo modelo, só no ano passado, mil aposentados se suicidaram. E no Japão, idosos cometem pequenos delitos para irem presos e terem moradia e alimentação”.

Segundo o presidente da CTB, as justificativas para a mudança no modelo de previdência brasileiro e a proposta de Bolsonaro não são sérias, pois o Governo Bolsonaro quer “economizar R$ 1 trilhão em dez anos cortando os direitos dos trabalhadores, mas gasta R$ 1 trilhão por ano com a dívida pública”. Vidor ainda classificou a Reforma da Previdência como concretizadora do “o maior ciclo de regressão civilizatória” da história do Brasil ao gerar o desmantelamento dos direitos dos trabalhadores.

Um ponto parecido foi levantado pelo secretário de comunicação da CUT, ao classificar a PEC como uma medida que oferece opções cruéis para a população trabalhadora, que seriam, segundo ele, “trabalhar até morrer ou se aposentar na miséria”. Para ele, a Reforma “significa o fim da aposentadoria para milhões de brasileiros”, enquanto “mantém privilégios, especialmente, dos militares”.
(*) Com informações da AL-RS