Megaoperação da Polícia Civil desbarata quadrilha de roubos na área rural

A Polícia Civil gaúcha, mais uma vez, demonstrou sua capacidade e eficiência. A Operação Farroupilha, que mobilizou cerca de 200 policiais, desbaratou uma organização criminosa que tem realizado uma série de furtos e roubos em fazendas e sítios, na região sul do estado. Essa organização já havia sido investigada e desarticulada em 2017. Porém, voltou a agir e, nos últimos nove meses, realizou uma série de roubos e furtos em 15 municípios da região. Depois da sua rearticulação, a quadrilha passou a agir como milícia, oferecendo serviços de segurança privada às vítimas dos seus assaltos e coagindo quem não aceitava.

A operação foi chamada de “Farroupilha”, pelo fato de a apuração ter começado após um roubo a fazenda na cidade de Piratini, que foi a primeira capital farroupilha. A Operação ocorre em seis municípios da região: Pelotas (base da facção, que atua na cidade há pelo menos oito anos), Rio Grande, Piratini, Morro Redondo, Santana da Boa Vista e em Capão do Leão (sede da empresa de vigilância).

Facção é conhecida por agir de forma violenta

Policiais que participaram da investigação, afirmam que a quadrilha, já em 2017, havia transferido parte das suas ações para crimes rurais. O objetivo era capitalizar o tráfico de drogas. Os integrantes da facção foram responsáveis pela tentativa de roubo de uma caminhonete em Pelotas, que vitimou a Policial Civil Cristina Gonçalves Lucas, que estava saindo com a família em férias. Três homens foram condenados pelo crime no ano passado.

De acordo, com informações da Polícia Civil, o objetivo deles era roubar a caminhonete para usá-la nos roubos a propriedades rurais. Depois disso, a partir de dezembro de 2020, vários roubos começaram a ser registrados em 15 municípios, como Piratini, Pelotas, Santa Vitória do Palmar, Herval, Arroio Grande, Santana da Boa Vista, Pinheiro Machado, entre outros. Foram 18 roubos e 10 furtos. Em todas ações, o procedimento da quadrilha era o mesmo, a utilização de muita violência, inclusive submetendo as famílias ao cárcere privado, trancando-as em peças das residências após os assaltos.

Quadrilha montou Empresa de vigilância privada

A investigação apurou que os integrantes da facção saíam de Pelotas e seguiam, por exemplo, para a cidade de Herval, que fica a mais de 145 quilômetros de distância, com o objetivo de furtar apenas panelas de uma fazenda. O objetivo real, no entanto, era outro: criar insegurança, para oferecer os serviços da sua empresa de vigilância clandestina, a Nova Fronteira Vigilância e Monitoramento, que tem sede em Capão do Leão e teve a interdição solicitada pela polícia. De acordo com o inquérito instaurado, a mesma facção que realizava os roubos, depois oferecia o serviço de monitoramento às vítimas. Os responsáveis pelo estabelecimento teriam coagido, ameaçado e até mesmo assaltado novamente quem não aceitou o monitoramento.

Esse procedimento pode ser enquadrado, perfeitamente, como formação de milícia. Após os roubos efetuados pelos seus comparsas, a empresa procurava as vítimas dos seus assaltos, para oferecer os serviços segurança. Chegavam ao ponto de fazer anúncios nas redes sociais, sendo que um dos integrantes que aparecia no perfil, é um dos presos na operação da Polícia Civil.

Operação demonstra, mais uma vez, o valor do trabalho da Polícia Civil

Essa Operação deflagrada no sul do estado, demonstra a capacidade de investigação e ação da Polícia Civil gaúcha. Mesmo com todas as restrições de pessoal e com a defasagem registrada nos seus salários, os (as) policiais têm executado uma série de ações que são responsáveis pela acentuada queda nos índices de violência no nosso estado.

A população tem reconhecido esse trabalho, que tem refletido em uma maior sensação de segurança, revertendo a terrível realidade vivida pelos gaúchos alguns anos atrás. No entanto, esses avanços podem ser jogados por terra, se o governo do estado não agir imediatamente, para abrir negociação com os Policiais Civis e realizar a reposição imediata de pessoal. São mais de três anos sem reposição salarial, causando uma séria corrosão nos salários da categoria. Além disso, a lenta reposição de pessoal, é responsável pelo menor efetivo da Polícia Civil na história. A combinação desses dois fatores, vão reduzir drasticamente a capacidade das forças de segurança, em manter e ampliar o belo trabalho que tem sido realizado até agora.