Polícia prende e Judiciário põe em liberdade homem que estava em carro roubado com uma submetralhadora e três pistolas

Eram 13 horas de domingo, quando a Brigada Militar prendeu quatro homens em um Chevrolet Cobalt prata na esquina das avenidas Ipiranga e Silva Só, na Capital. O grupo, que havia batido em um poste, carregava três pistolas 9mm, uma submetralhadora, um kit Roni – suporte que transforma pistola em arma longa –, dois celulares e 171 munições de calibre 9mm. De acordo com a Brigada Militar, os presos saíram do bairro Bom Jesus e admitiram que estavam se deslocando de um ataque na Vila Cruzeiro. O grupo foi encaminhado para a 2ª Delegacia de Polícia e Pronto-Atendimento (DPPA) de Porto Alegre, onde foi autuado em flagrante pela Polícia Civil, pela receptação do carro e por porte ilegal de arma de uso restrito ou proibido.

Porém, em menos de 24 horas, um dos homens já estava solto. O plantão do Judiciário concedeu liberdade provisória a um dos homens, com a alegação de que o suspeito era primário. No entanto, de acordo com apuração do Jornal Zero Hora, o suspeito não tem condenações, mas tem antecedentes policiais: respondeu a inquéritos por receptação de veículo, por homicídio, por porte de arma e por roubo.

A decisão da Justiça foi, no mínimo, precipitada. Como disse a Chefe de Polícia, Delegada Nadine Anflor, a atitude do Judiciário “é um desestímulo para os policiais. Não é possível que pessoas fortemente armadas sejam soltas em menos de 24 horas”. Os próprios suspeitos assumiram que estavam saindo para uma ação armada contra uma facção rival. Colocar em liberdade, membros de facções que aterrorizam a população, é um risco para os (as) Policiais Civis que colocam suas vidas em risco, diariamente, nas ruas do nosso estado.

A sensação de impunidade, gerada por atitudes como essa do judiciário, afeta diretamente a população, que passa a duvidar da efetividade do Estado na garantia da sua segurança. Além disso, essa impunidade se torna um estímulo para que outros criminosos venham a cometer o mesmo tipo de delito. Porém, o mais grave é que esse caso envolve pessoas assumidamente envolvidas com facções criminosas que, pouco tempo atrás, foram responsáveis por uma onda de violência até então inédita no RS, com casos de esquartejamentos e outros crimes bárbaros.