Policiais aprovam greve de três dias e Servidores fazem história

Por Guilherme Santos/Sul21

O dia 18 de agosto vai ficar marcado na história do Rio Grande do Sul. Mais de quarenta mil servidores se reuniram em uma assembleia unificada no Largo Glenio Peres e decidiram entrar em greve por três dias.

Dia começa com vitória na Assembleia Legislativa

O dia começou com a presença dos policiais na reunião da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa. Nesta reunião foi votado o requerimento, da deputada Stella Farias, para uma Audiência Pública de discussão do PL 206/2015. A pressão dos policiais, que compareceram em peso, deu resultado. O requerimento foi aprovado pelos parlamentares.

Por Guilherme Santos/Sul21A partir das 11 horas da manhã, os policiais começaram a chegar ao Palácio da Polícia para participar da Assembleia Extraordinária da UGEIRM. O clima era de mobilização e indignação com o Governo Sartori. Ônibus de todo o Estado chegavam e a concentração aumentava cada vez mais. Faixas das delegacias do interior eram estendidas em frente ao Palácio. Ao meio-dia, a massa de policiais que se posicionava em frente ao Palácio da Polícia, já dava uma mostra de que, realmente, a segunda Marcha Segurança Para Todos seria maior ainda que a primeira. Com a chegada do carro de som, começaram as saudações à mobilização dos policiais. Representantes de várias regionais da UGEIRM ocuparam o microfone, informando sobre a mobilização nas suas cidades. Os deputados Luiz Augusto Lara (PTB), Stella Farias (PT) e Jeferson Fernandes (PT) subiram ao carro de som para declarar seu apoio às reivindicações dos policiais e se comprometerem com a recusa do PL206. O ex-chefe de polícia, delegado Ranolfo Vieira Júnior, também defendeu a nossa tabela de subsídios e comprometeu a bancada do PTB, da qual é o atual coordenador, a votar contra qualquer medida que impeça a implementação da mesma.

Greve de três dias é aprovada por unanimidade

Por Guilherme Santos/Sul21Após chamar todas as regionais, o presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, deu início à Assembleia Extraordinária. Foi apresentada a proposta de uma greve de três dias, começando nessa quarta-feira (19), contra os ataques do Governo Sartori ao Serviço Público e, em particular, à Segurança Pública. Também foi colocado pelo diretor financeiro da UGEIRM, Cládio Wohlfahrt, que, caso o Governo Sartori não pague os salários dos servidores no fim do mês, os servidores fariam outra greve, agora de quatro dias. A proposta foi aprovada por aclamação por uma massa que já chegava a quase 5.000 policiais.

Por Guilherme Santos/Sul21Aprovada a greve, os policiais começaram a se organizar para a Segunda Marcha Segurança Para Todos. A Avenida João pessoa foi fechada, no sentido Bairro/Centro, e tomada pelos policiais. À frente da Marcha iam as faixas das várias regionais presentes. Logo atrás vinham as bandeiras e, em seguida, os balões pretos, representando o luto dos policiais pelo descaso do governo com a segurança pública. Durante todo o trajeto, era informado para a população os motivos da mobilização e porque os policiais iriam fazer uma greve de três dias. Do carro de som, a população era informada sobre as precárias condições com que os policiais trabalhavam pela segurança dos gaúchos. Carros sem combustível e manutenção, falta de pessoal e várias outras mazelas, eram informadas às pessoas que paravam para ver a passagem da Marcha. Quando a passeata chegou ao viaduto da João Pessoa, o cenário era de encher os olhos. Milhares de policiais ocupavam as ruas defendendo o direito da população de ter uma segurança digna. Da Avenida João Pessoa a Marcha seguiu pela Salgado Filho, até virar a Borges de Medeiros em direção ao Largo Glênio Peres.

Servidores fazem Assembleia Unificada histórica

Por Guilherme Santos/Sul21Ao chegar na Esquina Democrática, os policiais tiveram uma visão do tamanho da mobilização e da indignação dos servidores. Um mar de gente se estendia até o Largo Glênio Peres. Servidores de quarenta categorias diferentes se aglomeravam para protestar contra o Governo Sartori. Os organizadores da Assembleia Unificada calcularam algo em torno de quarenta a cinquenta mil pessoas. O número era o que menos importava para quem estava na rua para mostrar a sua indignação. O que importava era que, quem estava presente na Assembleia, sabia que a história estava sendo feita naquele momento.

As falas se sucediam no carro de som principal. Professores, Brigadianos, Bombeiros, Técnicos, Funcionários das Fundações e várias outras categorias de servidores públicos se revezavam ao microfone. O presidente da UGEIRM, Ortiz, fez uma fala emocionada. Fazendo uma homenagem aos professores e lembrando que “aqui no Rio Grande do Sul policiais e professores estão lado a lado na luta por um serviço público de qualidade para a população”. Lembrou que “é dever do Estado oferecer Segurança e Educação de qualidade para a população”. Encerrando a sua fala, Ortiz lembrou ao Governo Sartori que “os policiais já estão acostumado com a luta e as adversidades, portanto não temos medo de terrorismo. Nós não vamos permitir que a segurança pública do nosso Estado seja destruída. O recado está dado, o Rio Grande vai parar!” A multidão que ocupava não só o Largo Glênio Peres como as ruas adjacentes, explodiu em aplausos e gritos contra o Governo Sartori. Ao final da Assembleia foi feita uma votação simbólica aprovando a greve. As várias categorias já tinham votado em suas assembleia específicas a greve de três dias.

Multidão segue para a Praça da Matriz para pressionar os deputados e protestar contra Sartori

Por Guilherme Santos/Sul21Com o fim da Assembleia Unificada, a multidão que ocupava toda a região do Mercado Público, seguiu em passeata para a Praça da Matriz. Puxando a passeata ia o carro de som da Segurança Pública, conduzido pela UGEIRM. A Praça da Matriz ficou pequena para tanta gente. Somente a Marcha Segurança Para Todos já ocupava toda a frente do Palácio Piratini. Mas não parava de chegar servidores. Um grande grupo decidiu entrar na Assembleia Legislativa para ocupar as galerias e pressionar os deputados que estavam em sessão no Plenário. Um início de confusão aconteceu quando a Brigada Militar tentou impedir os manifestantes de entrar na Assembleia Legislativa. Mas a questão logo foi solucionada com a intervenção dos organizadores da manifestação. A entrada na Assembleia Legislativa foi liberada e os servidores ocuparam as galerias cantando o hino do Rio Grande do Sul.

Para encerrar o dia histórico, quando os servidores estaduais de mais de quarenta categorias se uniram com o objetivo de barrar o desmonte do serviço público, as entidades discursaram em frente ao Palácio Piratini e, mesmo debaixo de chuva, os manifestantes não arredaram pé da praça.

Greve começa nesta quarta-feira (19)

Por Guilherme Santos/Sul21Conforme a deliberação da Assembleia dos policiais, a nossa greve começa nesta quarta-feira (19), a partir das 8 horas da manhã e se estende até a sexta-feira (21).
A UGEIRM orienta que não deve haver circulação de viaturas. Todas devem ser mantidas paradas no órgão a que pertencem.

Também não haverá cumprimento de MBAs, mandados de prisão, operações policiais, serviço cartorário, entrega de intimações, oitivas, remessa de IPs ao poder Judiciário e demais procedimentos de polícia judiciária.

Plantões: as DPPAs e plantões somente atenderão os flagrantes e casos de maior gravidade tais como: homicídio, estupro, ocorrências envolvendo crianças e adolescentes e lei Maria da Penha, além daquelas ocorrências em que os plantonistas julgarem imprescindível a intervenção imediata da polícia civil. Em TODOS os casos deve-se exigir a presença, em tempo integral, da autoridade policial.

Os agentes devem concentrar em frente às DPPAs ou delegacias de polícia, prestando o apoio necessário aos colegas que estiverem de plantão no dia da paralisação.

É fundamental mantermos o diálogo com a população, explicando os motivos da nossa greve. É preciso mostrar a população que a nossa luta é por uma segurança de qualidade, com um serviço público que funcione de verdade. Na verdade, estamos parando para defender a segurança da população.