Roda de conversa de policiais discute estratégias de combate ao racismo

Aconteceu no auditório da UGEIRM, no dia 30 de novembro, a Roda de Conversa “Questões Étnico Raciais e a Atividade sindical”. O evento partiu de uma solicitação de um grupo de agentes da Polícia Civil e foi assumido pela UGEIRM. O objetivo da iniciativa é travar um diálogo com diversas entidades sindicais e organizações, de variados setores públicos e privados, bem como instituições de estado, como a Defensoria Pública da União (DPU), no sentido de traçar estratégias de enfrentamento e combate ao Racismo, especialmente em seu viés institucional.

O debate contou com a participação e contribuição de representantes da Brigada Militar, da Prefeitura de Porto Alegre, da Guarda Municipal de Porto Alegre, da Defensoria Pública da União, do CEAPE, Sinpol/RS, SINDSERF/RS, CONDSEF e MNU-RS

O auditório do sindicato foi decorado com aspectos da cultura e ancestralidade africana e recebeu um ótimo público. A atividade foi coordenada pelos coordenadores do grupo de policiais civis, Ana Janete, Isolina Martins e Luiz Felipe de Oliveira Teixeira. O presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, fez as saudações iniciais, parabenizando a iniciativa dos colegas e ressaltando que o sindicato vai estar sempre aberto para eventos desse tipo.

Iniciando o debate, o representante do CEAP Sindicato e da Comissão da Verdade da Escravidão Negra da OAB/RS (CVEN), Filipe Leiria, fez uma introdução apresentando as recomendações aprovadas pela Comissão para as instituições da segurança pública. Entre essas recomendações está a criação de protocolos para a atuação policial junto as comunidades quilombolas.

Após a introdução, iniciou-se um debate aprofundado sobre o aspecto histórico do racismo, salientando os efeitos da escravização do povo negro na exclusão de negros e negras nos dias de hoje. Essa exclusão é materializada de diversas formas, entre elas está o genocídio da juventude negra e o desemprego estrutural da população afrodescendente do país. A respeito desse último fator, os dados estatísticos do IBGE apontam que dos 14 milhões de desempregados no país, 9 milhões são negros e negras.

Uma importante contribuição ao debate, foi o relato, feito pelos integrantes da Brigada Militar Dagoberto Albuquerque e Maurício Flores, a respeito da discussão que vem sendo feita na Instituição, sobre a formação dos policiais e os procedimentos adequados para que as abordagens policiais não sejam baseadas na cor da pele. O objetivo é estabelecer um programa permanente de conscientização e formação na instituição.

A partir da discussão e da constatação da necessidade de aprofundamento da discussão, os participantes da roda de conversa chegaram à conclusão que é fundamental a unidade das entidades no debate e no enfrentamento ao racismo. Nesse sentido, decidiu-se pela realização de um seminário para debater as estratégias de luta que viabilizem a implantação das recomendações da CVEN por parte do Estado Brasileiro e as instituições as quais são destinadas as recomendações.

A coordenação do evento propôs o mês de março de 2019 como data de referência para a realização da atividade, em razão do aniversário de 39 anos da UGEIRM e da comemoração do dia internacional de combate ao racismo em 21 de março. Como preparação ao seminário, foi sugerida a realização de debates internos nas instituições com as categorias, produção de materiais formativos sobre o tema do racismo, trabalhar pela implantação e/ou fortalecimento da política de cotas nas instituições e realizar micro seminários (PC, BM, que SUSEPE e IGP).

Durante o evento, os participantes puderam se servir de uma mesa com comidas típicas africanas.