“Um novo contrato social deve ser reescrito; onde todos perdem”, afirma Secretário da Fazenda

_MG_0054Em reunião com representantes sindicais dos servidores do Estado na manhã desta terça-feira (27), Governo apresenta as contas e defende cortes e perdas como solução para o rombo financeiro. Os dados apresentados apontam a folha de pagamento e os gastos com a previdência como principais impactos no orçamento estadual, comparando os 5,4 bilhões de déficit anunciados a três meses de pagamento da folha.

O Governador José Ivo Sartori, que ressaltou a importância do diálogo, se retirou da reunião logo após a abertura ,deixando a apresentação dos números a cargo do Secretário da Fazenda, Giovani Feltes. Perguntado sobre se o estado garantiria as promoções e o subsídio da Polícia Civil, o secretário disse que “a lei deve ser cumprida, de que jeito não se sabe, mas o Governador Sartori vai cumprir a lei”.

O governo apresentou estudo elaborado pelos técnicos do estado e secretários, apontando para um déficit superior ao estimado ao final do ano passado pelo governo anterior. O levantamento não aponta dados tão distintos da realidade conhecida desde a transição, no final de 2014. A dívida do RS com a União é o maior peso das contas do governo estadual, representando um impacto de R$ 49,3 bilhões do total da dívida. O volume de despesas realizadas em 2014 sem autorização soma R$ 663 milhões, os saques do Caixa Único R$ 11,8 bilhões (entre depósitos judiciais, Corsan, CEE, Empréstimos) e os valores não pagos em precatórios somam R$ 8 bilhões, segundo o estudo apresentado.

Diferente do decreto 52.230/15 que contigenciou as verbas da segurança pública, causando a diminuição das horas extras e impedindo a nomeação de novos servidores, prejudicando sobremaneira o trabalho da policia civil, fortemente afetada pela carência crônica de efetivo, o Governo não anunciou mais perdas, mas defendeu suas ações na redução dos benefícios dos trabalhadores. Segundo avaliação do presidente da Ugeirm, Isaac Ortiz, a reunião foi uma decepção, “o secretário da fazenda diz que a segurança e os serviços públicos são os únicos que devem perder, enquanto os setores legislativo e judiciário nunca sofrem cortes”.

Ortiz garantiu que o sindicato vai pressionar para que a lei realmente seja cumprida e que os pagamentos e as promoções dos policiais sejam realizados, sem perdas para a categoria. Assim como aconteceu na paralisação de hoje (28), 100% do efetivo da Polícia Civil de todo o Estado estava mobilizada para garantir seus direitos adquiridos com apoio de deputados, vereadores e da população gaúcha.