Indicadores de potencial poluidor da indústria do RS apontam aumento de risco, segundo FEE

Da Redação*

Entre 2002 e 2015, os indicadores de potencial poluidor da indústria do Rio Grande do Sul registraram aumento de risco ambiental. O estado teve crescimento na dependência de atividades poluidoras e de volume na produção do mesmo tipo. É o que apontam os indicadores do potencial poluidor da indústria de transformação e extrativa no estado do Rio Grande do Sul, apresentados pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), nesta terça-feira (3).

Os dados estão disponíveis através de um aplicativo interativo, no site da fundação, com mapas, infográficos, tabelas, unidades geográficas. Para calcular o potencial poluidor, foi calculado um índice com intensidade das atividades econômicas industriais na região, o volume produtivo de cada uma e o impacto poluidor gerado.

Os indicadores foram divididos em duas categorias Potencial Poluidor da Indústria (Indapp-I) e Dependência do Potencial Poluidor da Indústria (Inpp-I).

Segundo a economista Cristina dos Reis Martins, do Centro de Estudos Econômicos e Sociais da FEE, há três anos, 242 dos 497 municípios gaúchos eram dependentes de indústrias com potencial de poluição. Apenas 25 deles, equivalente a 5% do total, tinha indústrias com baixo risco ambiental.

A pesquisa aponta ainda que, 59,5% do volume potencialmente poluidor esteve concentrado em 10 municípios: Canoas, Triunfo, Gravataí, São Leopoldo, Porto Alegre, São Leopoldo, Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Rio Grande, Santa Cruz do Sul e Erechim.

“Destaca-se que seis entre esses municípios se encontram na Região Metropolitana de Porto Alegre e dois na Região Metropolitana da Serra”, salienta Martins.

O objetivo dos índices, segundo ela, é contribuir para a avaliação de possíveis externalidades negativas sobre o meio ambiente, geradas por essas atividades econômicas, sujeitas ao risco ambiental.

“Assim, se oferecem como subsídios para implementação de políticas públicas, em especial, para a orientação de ações preventivas que equalizem o risco decorrente das atividades com alto potencial poluidor”.

No final de 2017, um relatório elaborado pela agência ambiental das Nações Unidas, a ONU Meio Ambiente, revelou que 12,6 milhões de pessoas morrem todos os anos em decorrência da poluição. O número equivale a quase um quarto do total de mortes do planeta. O estudo diz ainda que quase metade da população mundial,3,5 bilhões de pessoas, dependemde mares poluídos para se alimentar e 2 bilhões não tem acesso a banheiros adequados.

Só a poluição do ar mata 6,5 milhões de pessoas por ano. Cerca de 80% dos centros urbanos não atingem os parâmetros estabelecidos pela organização para qualidade do ar.

*Com informações da FEE.