Para economista, ‘ausência de um secretário da Fazenda forte’ está entre razões da crise no RS

Lucas Rohan

A estratégia para o Rio Grande do Sul sair da crise econômica passa pela necessidade de uma figura “forte” à frente da Secretaria da Fazenda, capaz de impulsionar o ajuste fiscal. A avaliação é do economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE) Liderau Marques Jr. e foi apresentada nesta terça-feira (15) no painel “A economia gaúcha no contexto da crise”, realizado na sede da fundação, em Porto Alegre, e que contou com as apresentações de mais três economistas.

“Não podemos garantir que tenhamos um secretário da Fazenda forte”, criticou Marques, apontando no projetor a inscrição “Ausência de um Secretário da Fazenda forte” como uma das causas, junto com a recessão e posterior demora na retomada da economia, para o agravamento da crise financeira do Estado.

Com dados, Liderau Marques Jr. avaliou que a política fiscal da “boca do caixa”, quando o Governo opta por arrecadar para depois decidir como vai gastar, provocou uma piora no resultado orçamentário nos primeiros seis meses de 2017, algo similar ao que já havia ocorrido no ano anterior. “Em 2016 o Rio Grande do Sul arrecadou mais com o aumento do ICMS, mas as despesas cresceram mais do que a inflação”, pontuou.

Jefferson Colombo apresentou uma análise da situação econômica do Estado a partir dos dados do índice de atividade do Banco Central. Foto: Guilherme Santos/Sul21

Liderau e os economistas Jefferson Colombo, Cecília Hoff e Tomas Fiori apresentaram seus diagnósticos no evento realizado na sede da FEE, em Porto Alegre, no início da tarde desta terça-feira. Na plateia, além de integrantes da própria fundação, estavam estudantes e profissionais da área.

O primeiro palestrante foi o economista Jefferson Colombo, que apresentou uma análise da situação econômica do Estado a partir dos dados do índice de atividade do Banco Central, que, segundo ele, oferece uma dinâmica mensal das atividades econômicas. O economista afirmou que o Rio Grande do Sul, assim como outros 9 Estados, já chegou ao fundo do poço e, agora, começa a sair de maneira “lenta e irregular” dessa situação. “Surpresas negativas são mais prováveis e os danos são maiores”, alertou.

Cecília Hoff afirmou que a crise do Estado pode ser dividida em três: conjuntural, fiscal e econômica. Foto: Guilherme Santos/Sul21

Para a economista Cecília Hoff, a crise do Estado pode ser dividida em três: uma crise conjuntural, relacionada com a recessão nacional, uma crise fiscal e uma crise econômica com perda do dinamismo da economia do Rio Grande do Sul no cenário nacional. Essa última, porém, foi contestada por Hoff. “Quando o país voltar a crescer precisará de investimentos em infraestrutura, exploração de petróleo e gás e agronegócio. E se for assim, o Rio Grande do Sul está bem posicionado. A questão é saber quando isso vai ocorrer”, avaliou.

Tomas Fiori falou sobre as questões regionais relacionadas com o federalismo. Para ele, reduzir os gastos do Estado tem um efeito negativo em curto prazo, embora possa ser eficaz no futuro. “Embora devamos administrar o caixa com parcimônia, passar a régua no orçamento não é responsável. Pode ter efeitos pós-cíclicos negativos”, argumentou.

Tomas Fiori falou sobre as questões regionais relacionadas com o federalismo. Foto: Guilherme Santos/Sul21