Paulo Guedes chama policiais e profissionais da saúde de bandidos

O Ministro da Economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes, é, hoje, o principal inimigo de quem está na linha de frente do combate ao Coronavírus. Em uma declaração que demonstra todo o seu escárnio e desprezo pelos servidores públicos, citando diretamente os policiais, Guedes comparou os servidores que estão arriscando suas vidas diariamente a saqueadores, ou seja, bandidos.

A declaração literal de Paulo Guedes foi:

“Na hora que o gigante caiu, o Brasil está no chão, é inaceitável que tentem saquear o gigante que está no chão. Que usem a desculpa da crise na saúde para saquear o Brasil na hora que ele cai (…) as medalhas são dadas após a guerra e não antes da guerra. Nossos heróis não são mercenários. Que história é essa de pedir aumento de salário porque um policial vai à rua exercer sua função? Ou porque um médico vai à rua exercer a sua função? Se ele trabalhar mais, por causa do Coronavírus, ótimo! Ele recebe hora extra! Mas dar medalha antes da batalha? As medalhas vêm depois da guerra!”

Paulo Guedes

Um Ministro que vem a público declarar que policiais e profissionais da saúde, que estão morrendo durante o combate à epidemia, são mercenários que só estão preocupados com seu bolso, demonstra de qual lado está esse governo. Quando banqueiros foram pedir a liberação de R$ 600 bilhões logo no início da Pandemia, não ouvimos Guedes acusar seus amigos de saqueadores e mercenários.

Na campanha eleitoral, Jair Bolsonaro usou os policiais para se eleger. Com o discurso de prioridade à segurança pública, dizia: “temos que prestigiar os policiais”. Agora, avaliza seu Ministro que chama esses mesmos profissionais de bandidos. Aliás, Bolsonaro já afirmou literalmente que quem manda no seu governo é Paulo Guedes. Sua postura não é novidade, durante a discussão da aposentadoria policial o presidente se comprometeu com os policiais e voltou atrás, ao receber a ordem de Guedes para recuar. Agora vamos ver quem realmente manda no governo: Bolsonaro, que prometeu defender os policiais, ou Guedes, que prometeu defender os banqueiros.

Essa declaração do Ministro banqueiro traz requintes de crueldade. Imaginamos o que deve sentir um (a) filho (a) que perdeu seu pai ou sua mãe em decorrência da sua atuação no combate ao Coronavírus, vendo Guedes chamá-los de saqueadores. Pensemos na dor dessas pessoas. Enquanto toda a população realiza atos de agradecimentos a esses profissionais, Paulo Guedes e Bolsonaro os elegem como inimigos. É difícil imaginar o que se passa na cabeça de alguém que faz uma declaração dessas. Somente um total distanciamento da realidade pode justificar esse posicionamento.

Ofensas aos policiais, feitas por políticos, não é novidade. Esses profissionais já foram chamados de baderneiros, de vagabundos e de várias outras coisas. Mas isso se dava no calor da disputa por melhores salários. Agora, Paulo Guedes ultrapassou todos os limites. Os Policiais não estão pedindo aumento de salários, apenas querem garantir que seus salários não sejam congelados, enquanto arriscam suas vidas durante a pandemia do Coronavírus.

Somente no Pará e no Rio de Janeiro, 49 policiais já morreram em decorrência da COVID-19, em menos de dois meses. Chamar essas pessoas de saqueadores e mercenários, enquanto morrem diariamente, é motivo de revolta. Mas, a categoria não vai ficar apenas se lamentando, vai mostrar ao ministro amigo dos banqueiros que honram a memória dos que estão morrendo no cumprimento do seu dever. É em memória desses colegas e de suas famílias, que vão pressionar os senadores a derrubar o veto de Bolsonaro. Os (as) policiais, nunca deixaram um colega para trás, não será agora que isso vai acontecer. O veto do Bolsonaro vai ser derrubado para garantir que as famílias dos (as) policiais que estão morrendo continue assistida. A sociedade deve isso a eles.