Policiais Civis não vão aceitar qualquer modificação nos pagamentos dos reajustes

Nesta segunda-feira (6), o jornal Zero Hora veiculou uma notícia com a possibilidade do Governo do Rio Grande do Sul adiar os aumentos destinados aos servidores da Segurança Pública, previstos para maio e novembro deste ano. Segundo o jornal, fontes ligadas à cúpula do Palácio Piratini afirmam que uma das hipóteses é abrir a mesa de negociações para tentar reprogramar os benefícios assinados pelo então governador Tarso Genro. Porém, nem o atual secretário da Fazenda, Gioviani Feltes, nem o governador do estado, José Ivo Sartori, comentaram o assunto.

O presidente da Ugeirm Sindicato, Isaac Ortiz, declarou a ZH que a hipótese de modificação nos pagamentos da categoria é absurda, pois o próprio governador garantiu, durante a campanha eleitoral, que não suspenderia os reajustes. “Não fomos contatados pelos representantes do governo, mas, de antemão, rejeitamos qualquer abertura de negociação que suprima direitos conquistados duramente”. Para Ortiz, a categoria tem urgente necessidade de repactuar com o governo questões como o Estatuto da Polícia Civil ou a recomposição do efetivo. “Para isso estamos abertos”, conclui.

No dia 17 de abril, o sindicato reunirá o seu conselho de representantes para definir uma estratégia de enfrentamento a ameaça de modificação dos pagamentos. A ideia é organizar um calendário de mobilização, que inclui paralisações e indicativo de greve.

A Ugeirm segue com as reuniões entre as entidades de classe da Segurança Pública da Sinpol, Abamf, Amapergs, Sindiperícias e Asstbm para construir uma frente em defesa da Segurança Pública. “Nós próximos dias, pretendemos lançar uma nota conjunta repudiando as ameaças de retirada de direitos e o clima de terrorismo instaurado pelo atual governo”, afirma o vice-presidente da Ugeirm Sindicato, Fábio Castro.

Promoções

No dia 21 de abril, deverão ocorrer as promoções na Polícia Civil. Até o momento, não há confirmação sobre a efetivação do pagamento, o que gera muita ansiedade entre os policiais civis que aguardam a sua promoção. A expectativa da Ugeirm Sindicato é de que seja mantida a regularidade dos acordos pré-estabelecidos. “Estamos pressionando as chefias de polícia e da Secretaria de Segurança Pública (SSP) para cumprirem o calendário, a situação está se tornando insustentável”, declara Castro.

Ato público

O conselho da Ugeirm vai deliberar a proposta de um ato público, conjunto das categorias da segurança pública, para chamar atenção da sociedade para o caos que ameaça se instalar na segurança. Os cortes das Horas Extras e a indefinição sobre a convocação dos 650 concursados da Polícia Civil somam-se agora à possibilidade de calote nos reajustes. “O resultado disso é um caldo de insatisfações que pode levar a um colapso que ninguém deseja”, desabafa o vice-presidente da Ugeirm.