Professores aposentados e diretores rejeitam pacote de Leite: ‘já vivemos na miséria’

Da Redação

O governador Eduardo Leite (PSDB) deve encaminhar nos próximos dias à Assembleia Legislativa o pacote de projetos propondo mudanças nas carreiras e na Previdência dos servidores públicos estaduais. Nas últimas duas semanas, ele apresentou uma minuta com o teor dos projetos para os sindicatos que representam as categorias, mas, até o momento, não conseguiu angariar apoio para as propostas junto aos trabalhadores. Na última terça-feira (15), a direção do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS) concedeu uma entrevista coletiva para criticar as propostas que afetam o Magistério, o que inclui mudanças no plano de carreira, o fim da incorporação de funções gratificadas à aposentadoria e cobrança de alíquota previdenciária para aposentados. Ao longo da semana, diversos setores da categoria escreveram cartas endereçadas ao governador Leite se somando às críticas ao pacote.

Em carta,  aposentadas e aposentados do CPERS dizem que a categoria recebeu com “perplexidade de indignação” os projetos que vão “destruir a carreira do magistério” com propostas de aprofundar o arrocho salarial, retirar direitos e confiscar o dinheiro dos aposentados(as) que ganham menos taxando a Previdência. “Em toda nossa trajetória, jamais vimos um governo atacar com tanta violência seus próprios servidores. Não é nada menos do que inacreditável a disposição de cobrar alíquotas previdenciárias de quem ganha pouco mais de um salário mínimo. Não trabalhamos e lutamos a vida inteira para chegar à aposentadoria empobrecidos e sem dignidade. Este é um projeto de morte, nocivo e cruel. É nos ombros de quem recebe os menores salários que recairá a conta da má gestão, das desonerações fiscais bilionárias, da sonegação de grandes empresas e dos privilégios dos altos salários”, diz a carta.

A carta de diretoras e diretores de escolas estaduais de Erechim e região do 15º Núcleo do CPERS diz que é “impensável” que, após cinco anos de arrocho salarial, o governo proponha novas medidas que afetem professores aposentados e da ativa. “Ora, estamos há 46 meses sem receber em dia, com os salários congelados há cinco anos, com valor da gratificação de direção estagnado há 17 anos, em situação de miséria e escolhendo entre comer e pagar as contas. Se a política de contenção de gastos com recursos humanos resolvesse os problemas do Estado, o Rio Grande do Sul já estaria distante do abismo. Mas Eduardo Leite quer aplicar o mesmo remédio amargo, testado e reprovado múltiplas vezes. Beira a irracionalidade sacrificar o presente e o futuro do Rio Grande do Sul em nome de uma eterna crise fiscal, sem apresentar qualquer solução alternativa. É nos ombros de quem recebe os menores salários que recairá a conta da má gestão, das desonerações fiscais bilionárias, da sonegação de grandes empresas e dos privilégios dos altos salários”, diz a carta.

Já a carta de diretoras e diretores das escolas estaduais da Região Sul afirma que os educadores do Estado já vivem uma situação de miserabilidade. “Adoecidos, sofrendo assédio da Mantenedora, com sobrecarga exaustiva de trabalho, tentado suprir a carência e a falta de recursos humanos nas escolas, convivendo com ameaça de fechamento de turmas, turnos e escolas, previsão de fechamento de vagas para alunos no ano de 2020, acumulando empréstimos impagáveis, sem dinheiro para ir trabalhar, escolhendo entre comer e pagar as contas, com a alma e o coração feridos, com a dignidade dilacerada e a vida por um fio. Com salários parcelados há quase 4 anos, completando em novembro 5 anos de salários congelados, com perdas de mais de 1/3 do poder de compra, defasagem de 102% em relação ao Piso Nacional, com congelamento de mais de 17 anos nas Gratificações de Direção, com a retirada de direitos, com a projeção de mudança lesiva no Plano de Carreira dos Educadores, com perspectiva de aumento na contribuição do IPE previdência para os ativos e inclusão de contribuição previdenciária dos servidores já aposentados e pensionistas pelo IPE, ainda assim, trabalhamos e oferecemos uma educação de qualidade num quadro caótico em que se encontram as Escolas Estaduais”, diz a carta.