Reunião mostra que solução da crise das carceragens está na mobilização da sociedade

Esta quinta-feira (03), pode marcar o início de uma mobilização para resolver a crise das carceragens das delegacias gaúchas. Uma reunião, convocada pela OAB/RS a partir de uma demanda da UGEIRM/Sindicato, reuniu representantes de várias instituições, como o Tribunal de Justiça, o Ministério Público, a Defensoria Pública, a Brigada Militar, a Secretaria de Segurança, além das entidades representativas dos Delegados de Polícia (ASDEP) e da UGEIRM. Em pauta, a situação das carceragens das delegacias e as soluções para a crise atual.

Na reunião, a OAB/RS, representada pelo seu presidente, Ricardo Breier, questionou o Judiciário pelo fato de não estarem ocorrendo as audiências de custódia, quando das prisões em flagrante. Essa reivindicação foi apresentada e o Juiz Corregedor, que estava representando o Judiciário, se comprometeu a levar ao presidente do TJ a solicitação de uma reunião com a OAB/RS. Nesse encontro será apresentada a proposta de que as audiências de custódia sejam realizadas no próprio Palácio da Polícia. Apesar da resistência do Judiciário, já expressa pelo Presidente do TJ/RS, as entidades reafirmaram a necessidade de tal medida, como uma forma de agilizar o processo judicial e, assim, minimizar a superlotação das carceragens.

Governo promete, novamente, novas vagas no sistema penitenciário

Em seu pronunciamento, o representante da Secretaria de Segurança informou que, até o dia 15 de agosto, serão abertas 90 vagas em um novo Centro de Triagem e, até o dia 30 de setembro, mais 120 vagas em outro Centro a ser inaugurado. Além dessas vagas, a Secretaria de Segurança prometeu, também, que na primeira quinzena de outubro, serão abertas mais 140 vagas no Presídio de Canoas, que terá mais uma ala inaugurada.

Para o presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, “apesar das promessas serem positivas, realmente é difícil, depois de todos os falsos anúncios da Secretaria de Segurança, acreditar que esses prazos serão cumpridos. No entanto, estaremos atentos e cobraremos do governo essas novas vagas, pois elas são fundamentais para os policiais, que sofrem diariamente com a superlotação das carceragens das delegacias”.

Ortiz, no entanto, saúda a reunião de hoje: “o que menos importa nesse momento são as promessas do governo. O que é realmente importante, é constatar que, finalmente, a sociedade e os outros poderes estão se mobilizando para resolver esse problema tão grave. A união da UGEIRM, com a ASDEP, a OAB/RS, o Judiciário, o Ministério Público e a Defensoria Pública, poderá finalmente gestar soluções concretas. Essa crise só será solucionada com a participação da sociedade. O governo já se mostrou incompetente e, até agora, todas as promessas foram descumpridas e serviram apenas para alimentar notícias na mídia. Porém, acreditamos que esse movimento que se inicia agora, pode pressionar o governo e apontar caminhos. A UGEIRM vem, desde 2015, batendo nessa tecla, infelizmente, de forma quase solitária. Agora conseguimos sensibilizar setores importantes. Esperamos e vamos batalhar para que esse seja apenas o primeiro passo de uma longa caminhada. Os policiais e a sociedade gaúcha precisam que essa situação seja solucionada, antes que uma tragédia aconteça”