RS perde duas vezes mais vidas para a violência do que São Paulo

indices_2016A Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP), divulgou nesta segunda-feira (08) os números da violência no nosso estado, no primeiro semestre de 2016. E o que todos já verificavam no cotidiano se confirmou nos números. A violência no Rio Grande do Sul teve mais um aumento significativo. Das sete modalidades, seis tiveram aumento em relação ao mesmo período do ano anterior. Com destaque para o latrocínio (roubo seguido de morte), que teve um aumento de 34,9%. Em números absolutos, foram 89 vítimas de latrocínio. Isso significa, arredondando, que tivemos quase uma vítima a cada dois dias. Comparando-se com São Paulo, nesse mesmo período o Rio Grande do Sul teve 0,81 latrocínios para cada 100.000 habitantes, em São Paulo o índice foi de 0,37 para cada 100.000 habitantes. Ou seja, o Rio Grande do Sul teve mais que o dobro de latrocínios do que o estado de São Paulo.

Outro número assustador foi o referente aos roubos (assaltos). Esse é um dos crimes que mais trazem sensação de insegurança. Quem já passou pela sensação de ter uma arma apontada para si, sabe muito bem o trauma que isso traz para o futuro. Pois, nesse primeiro semestre, tivemos um aumento de 19,6% nos assaltos. Em números absolutos, foram 44.390 roubos no primeiro semestre de 2016. Tivemos o número absurdo de quase 250 assaltos por dia! Ou, se preferir, a cada 5 minutos uma pessoa é assaltada no nosso estado.

Poderíamos continuar descrevendo números e mais números aqui. Porém, é mais importante vermos os motivos que levaram a essa situação absurda. A violência não cresce por geração espontânea, ela é resultado de políticas aplicadas pelos governantes. As estatísticas servem para avaliarmos o trabalho executado pelos governos. No caso do Rio Grande do Sul, os números mostram: a política do governo Sartori/PMDB na área de segurança pública é desastrosa. Mas o que mais revolta, é que esse desastre significa 1.276 vidas perdidas por assassinatos nos seis primeiros meses do ano. Representam 89 vidas levadas por latrocínios. E não são apenas números, por trás deles existem famílias, amigos, seres-humanos que têm a sua vida atingida pela violência. Um erro na política de segurança, como os do governo Sartori/PMDB, significa muitas vidas perdidas desnecessariamente.

A reação do governo Sartori/PMDB, quando confrontado com esses números, foi soltar uma nota onde diz: “é no sentido de devolver a sensação de segurança aos cidadãos e melhorar a prestação dos serviços à sociedade gaúcha que o governo do Estado autorizou a liberação de R$ 166,9 milhões, a serem investidos no aporte de horas extras e diárias, investimentos de reaparelhamento, chamamento de novos policiais, civis e militares, e na abertura de concursos para a Susepe e o IGP. As horas extras e as diárias já foram autorizadas pela SSP, estando à disposição das instituições”.

Essa é a visão de Segurança Pública desse governo. Nenhum planejamento estratégico. Nenhuma política a curto, médio e longo prazo. A liberação de R$ 166,9 milhões para horas extras e diárias e a contratação de policiais, que já deveriam ter sido chamados no início do ano passado, é o que o governo Sartori/PMDB considera suficiente para “devolver a sensação de segurança à sociedade gaúcha”. Nessas horas dá vontade de saber em que mundo vive o Sr. José Ivo Sartori. No mundo real de pessoas esquartejadas e mãos decepadas, que é Porto Alegre hoje, é que ele não vive. No mundo onde os policiais recebem R$ 650,00 no final do mês, também não. O governador vive em um mundo à parte, o mundo dos políticos

A hora dos policiais darem sua resposta

Está na hora da população gaúcha reagir. Não podemos mais assistir passivamente a esse total descontrole na segurança pública. E, dentro da população, os policiais precisam comandar esse processo. São as pessoas que trabalham na segurança pública, que encaram de frente a violência no cotidiano. Para o presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, “a população gaúcha precisa dar a sua resposta. Assistir pessoas sendo esquartejadas, crimes bárbaros acontecendo na nossa frente, não pode ser encarado como natural. É preciso transformar a nossa indignação em ação. Esta semana, o Bloco da Segurança se reunirá para traçar os próximos passos da mobilização, após a vitoriosa paralisação da semana passada. Vamos reforçar a nossa Operação Padrão, vamos preparar mais manifestações de rua, vamos pressionar o governo até ele mudar essa política assassina para a segurança pública. Ficar calado nesse momento, é o mesmo que entregarmos o nosso estado à violência”.