Servidores da Segurança Pública Repudiam a Reforma da Previdência

logo_entidades_segurancaAs entidades representativas dos servidores da segurança pública no Estado do Rio Grande do Sul, reunidos na manhã de hoje em Porto Alegre/RS, após debaterem sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal, que proibiu a realização de movimentos grevistas por trabalhadores da área, decidiram registrar publicamente o seu total descontentamento com a mencionada decisão, que agride frontalmente um direito consagrado a todos os servidores civis da União, Estados e Municípios, garantido na Constituição Federal de 1988 pela unanimidade dos constituintes originários.

Além de ser uma medida autoritária, a decisão do STF parece absolutamente casuística e editada com um único propósito: retirar o direito cívico daqueles profissionais poderem protestar contra descasos de toda sorte, contra a falta de políticas sérias de combate à criminalidade e à corrupção, verdadeira responsável pelo rombo nas contas públicas.

Os servidores da Policia Federal, os Policiais Rodoviários Federais, os Policiais Civis, os Peritos e os Agentes Penitenciários do Estado não aceitam a forma desrespeitosa com que têm sido tratados pelo Governo, através da PEC 287/2016, retirando da Constituição Federal a “atividade de risco” dos policiais, sem considerar as peculiaridades de tais cargos, justamente num momento em que a sociedade se depara com o maior índice de violência de todos os tempos.

Muito mais do que não aceitarem o fim da chamada aposentadoria especial policial, os signatários registram o seu repúdio à totalidade da PEC 287/2016, que nem pode ser classificada como reforma, mas como o fim da previdência pública no Brasil, ataque voraz e injusto a todas as famílias brasileiras.

Tendo que trabalhar 49 anos para integralizar o tempo de contribuição, a maioria dos brasileiros morrerá antes mesmo de se aposentar. Quando se trata dos policiais, essa situação fica ainda pior, pois a idade média desses profissionais não atinge sequer os 60 anos, enquanto a idade média da população brasileira é de 74 anos. Vale lembrar que só no ano passado foram assassinados no Brasil, em serviço ou em razão dele, quase 500 policiais, sem contar o enorme número de suicídios, as mortes por estresse profissional e as baixas por acidentes em ações policiais.

Por tudo isso, as entidades dos operadores policiais e de segurança pública do Rio Grande do Sul deliberaram por promover um ato público contra a PEC 287/2017, no dia 18.04.2017, em Porto Alegre/RS, bem como participar da Mobilização Nacional contra a Reforma da Previdência, que ocorrerá no dia 28.04.2017.

Nossas armas contra os ataques em desfavor dos policiais e do povo brasileiro são a verdade e a informação honesta, denunciando os legítimos culpados pelo desfalque nos cofres públicos de nosso país.

Os trabalhadores não podem pagar a conta da corrupção.

 

Porto Alegre/RS, 06 de abril de 2017.

 

ISSAC DELIVAN LOPES ORTIZ (Presidente da UGEIRM-Sindicato dos Inspetores, Escrivães e Investigadores de Polícia do RS)

FLÁVIO BASTOS BERNEIRA JUNIOR (Presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do RS – AMAPERGS)

HENRIQUE BUENO MACHADO (Presidente do Sindicato dos Servidores do Instituto-Geral de Perícia do RS – SINDIPERICIAS)

JOSÉ MAURO PINTO NUNES (Diretor Regional da Associação dos Delegados do RS – ADPF)

MAICON NACHTIGALL (Presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais do RS – SINPRF/RS)

MARCO ANTÔNIO ZATTA (Diretor Regional da Associação dos Peritos Criminais Federais – APCF/RS)

UBIRATAN ANTUNES SANDERSON (Presidente do Sindicato dos Policias Federais do RS – SINPEF/RS)

VINÍCIUS MARCELINO ILHA (Diretor Regional do Sindicato Nacional dos Servidores do Plano Especial de Cargos da Polícia Federal – SINPECPF)