Atrasar salários dos servidores prejudica a luta contra o Coronavírus

O Governo Eduardo Leite divulgou, nesta segunda-feira (30), o calendário de pagamento de salários do mês de abril. Em meio à pandemia do COVID-19, os servidores públicos gaúchos terão um atraso ainda maior dos seus salários. Essa é uma questão que já se arrasta por mais de cinco anos e o governo nada fez para alterar essa realidade. Nesse momento de emergência e queda real da arrecadação, a falta de uma política de aumento da receita dos sucessivos governos, se mostra ainda mais grave.

O resultado mais grave dessa política, é que o setor que já demonstrou ser o mais importante no combate ao Coronavírus, fica ainda mais exposto. São os servidores públicos, como os profissionais da segurança pública e da saúde, que estão na linha de frente do atendimento à população e são os principais agentes das políticas públicas de combate ao Coronavírus. Não pagar os salários desses profissionais nesse momento, pode colocar em risco o próprio combate à pandemia. Muitos policiais, por exemplo, além de arriscar a sua própria saúde, convivem com o medo diário de estarem levando o vírus para dentro das suas próprias casas, colocando a saúde dos seus familiares em perigo. Adicionar a essa tensão diária, a incerteza quanto ao recebimento dos seus salários, é um grande risco

Situação atual é fruto da política de cortes de investimentos do governo

É importante deixar claro que essa situação poderia ter sido evitada pelo próprio governo Eduardo Leite. Se, ao invés de centrar toda a sua política no corte de gastos no serviço público, o governo tivesse adotado medidas para aumentar sua arrecadação, como a mudança na política de isenções fiscais, incentivo à produção e cobrança dos grandes devedores, talvez a situação fiscal do estado estivesse melhor e não fosse preciso atrasar os salários dos servidores públicos. A crise do Coronavírus está nos mostrando que atacar o Estado pode ser desastroso para a população.

Para o presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, “se o governo insistir nessa política de pensar apenas no caixa do governo, podemos ter uma tragédia ainda maior no nosso estado. Entender que o serviço público é fundamental no combate ao Coronavírus, é o mínimo que se exige de um governante. É consenso que esse não é o momento de pensar no caixa do governo, mas sim na saúde da população. Cortar salários de servidores que estão na linha de frente do combate ao vírus, é colocar a população em risco. Esperamos que o governador mostre que suas prioridades vão além do equilíbrio fiscal”.